O cerco do Exército e de outras forças de segurança contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, não tem prazo para acabar, conforme informou o diretor geral da Casa de Governo, Nilton Tubino, na sexta-feira (29).
A operação, iniciada na quarta-feira (25), já resultou na condução de mais de 60 suspeitos à Polícia Federal, com cinco deles permanecendo presos. Tubino destacou que o objetivo é devolver o território aos mais de 200 indígenas do povo Nambikwara.
“”Não temos prazo para terminar. Queremos estabilizar o território. São estruturas grandes, como no garimpo Cururu, muitos móveis, muitos bares. Isso vai levar tempo para desmanchar, mas também para evitar que retomem”, afirmou Tubino.”
A região é uma das mais devastadas da Amazônia Legal e, segundo investigações da Polícia Civil, foi dominada pela organização criminosa Comando Vermelho. O aumento do preço do ouro no mercado internacional tem atraído garimpeiros, o que gerou alerta nas autoridades.
As forças de segurança estão na região desde agosto do ano passado, mas os invasores continuam retornando devido à facilidade de acesso. Tubino explicou que a Sararé possui vários acessos terrestres, o que reduz os custos com fretes de maquinários.
“”O custo de repor é mais rápido, não tem impedimento do rio, e tem fretes baratos”, disse.”
Para combater a exploração ilegal, o Exército bloqueou todos os acessos e as forças de segurança atuam por terra, rio e ar. A operação conta com a participação do Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Ministério da Defesa, Abin, AGU, Ibama, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional, Casa Civil e Censipam.
O aumento do preço do ouro, que ultrapassou US$ 5 mil por onça, tem gerado um ambiente propício para as atividades garimpeiras ilegais. Rodrigo Vitorino Aguiar, chefe das operações da Polícia Federal, afirmou que a alta atrai mais pessoas para a extração mineral, especialmente em áreas como Sararé.
“”O ouro, como ativo financeiro, vem batendo seu recorde histórico, o que atrai mais pessoas para a atividade de extração mineral, inclusive em garimpos ilegais, como os localizados na Sararé”, disse Aguiar.”
Atualmente, a área garimpada ilegalmente na Sararé apresentou uma redução de 20% em comparação com os dados de 2025 e 2024, segundo Jair Smith, diretor de Proteção Ambiental do Ibama. Ele ressaltou que o trabalho de combate à exploração ilegal é permanente, independentemente das oscilações de preços do mercado.
A Terra Indígena Sararé abriga 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias, e foi homologada em 1985. Nos últimos anos, a área enfrentou conflitos devido à exploração ilegal do garimpo, que já devastou mais de três mil hectares de seus 67 mil hectares totais.
Estima-se que cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas atuem dentro do território, gerando conflitos armados. Desde o início da operação, mais de 160 escavadeiras e centenas de motores foram destruídos, e mais de 460 escavadeiras foram neutralizadas desde 2023.


