O governo da China anunciou a proibição do uso de apartamentos como locais para armazenamento de cinzas. A nova legislação entrou em vigor nesta terça-feira, 31 de março de 2026.
A medida proíbe o uso de moradias residenciais “exclusivamente para o armazenamento de restos cremados” e impede enterros ou construções de túmulos em áreas que não sejam cemitérios públicos.
A prática, conhecida como guhui fang, surgiu em resposta à crise no mercado de cemitérios da China. Segundo a seguradora britânica SunLife, o custo com funerais no país é estimado em metade do salário médio anual, colocando as despesas funerárias chinesas como as segundas mais caras do mundo, atrás apenas do Japão.
A alta nos custos tem levado muitos cidadãos a buscar alternativas mais acessíveis, resultando na conversão de imóveis em “apartamentos de cinzas”. Entre 2021 e 2025, o mercado imobiliário sofreu uma queda de 40%, permitindo que muitos imóveis fossem arrendados para essa finalidade.
Esses locais improvisados são transformados em santuários, com cortinas fechadas, velas e urnas organizadas. O fenômeno é também um reflexo da queda da natalidade na China, onde em 2025, o número de mortes foi de 11,3 milhões, superando os 7,92 milhões de nascimentos.
Os custos funerários em grandes cidades podem chegar a 100 mil yuans (aproximadamente 75 mil reais). Além disso, os contratos de arrendamento para lotes de cemitério são de apenas 20 anos, enquanto propriedades residenciais oferecem um uso de 70 anos, o que torna a opção de apartamentos mais atrativa.
A nova legislação gerou reações de incredulidade e indignação nas redes sociais, especialmente no Weibo, onde a medida foi mencionada mais de 7 milhões de vezes.

