O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, deve deixar o mandato nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, para tentar esvaziar o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode resultar na sua cassação por suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Se condenado, Castro ficará inelegível e não poderá disputar as eleições ao Senado em outubro, que é seu plano atual. A saída do governador gera incertezas no cenário político do estado, pois não há um substituto imediato para o cargo.
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, está afastado devido a investigações da Polícia Federal conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, o comando do governo será exercido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto.
O desembargador será responsável por convocar uma eleição indireta na Alerj para escolher um governador-tampão até o fim do mandato de Castro. A votação deve ocorrer em até 30 dias após a renúncia do governador.
Uma decisão recente do ministro Luiz Fux, do STF, complicou a situação, pois impediu ex-secretários de Castro e outros políticos com cargos públicos de concorrer ao posto. Fux estabeleceu um prazo de seis meses para desincompatibilização e decretou voto secreto na escolha do novo governador, visando evitar pressões do crime organizado sobre os parlamentares.
Aliados de Castro acreditam que sua saída do cargo pode esvaziar o julgamento no TSE, já que ele não estará mais no mandato. No entanto, opositores acreditam que o tribunal deve prosseguir com o julgamento, mesmo sem Castro no cargo.
A esperança dos aliados reside em um possível pedido de vista no TSE, que poderia adiar o julgamento e permitir a recomposição do governo a partir da votação na Alerj. O nome do ministro André Mendonça é lembrado como uma possível esperança para uma nova interrupção no julgamento.
Atualmente, o julgamento no TSE está em 2 votos a 0 pela cassação de Castro, com os ministros André Mendonça, Cármen Lúcia, Estela Aranha, Floriano Marques Neto e Kassio Nunes Marques ainda por votar. A relatora, Isabel Galotti, e Antonio Carlos Ferreira já se manifestaram a favor da condenação de Castro.

