Os Estados Unidos e o Irã estão em meio a relatos contraditórios sobre possíveis conversas para o fim da guerra no Oriente Médio, o que tem gerado confusão nos mercados financeiros e de energia.
No sábado (21), o presidente americano Donald Trump ameaçou “aniquilar” as usinas nucleares do Irã caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto em 48 horas. No entanto, na segunda-feira (23), Trump anunciou uma pausa de cinco dias nos ataques, afirmando que os EUA haviam mantido “conversas produtivas” com o Irã.
Trump declarou que o Irã queria “fazer um acordo” e mencionou que houve conversas com uma “pessoa importante” do regime iraniano, sem revelar a identidade e afirmando que existiam “pontos de concordância importantes”.
Em resposta, o Irã negou qualquer conversa com os EUA. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, desmentiu rumores de negociações, afirmando que “fakenews” estavam sendo utilizadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo.
Nesta terça-feira (24), uma fonte iraniana afirmou que houve “contatos” entre Washington e Teerã, indicando que o Irã estaria disposto a ouvir propostas “adequadas” para encerrar a guerra. Contudo, especialistas alertam que a confiança do Irã em Washington é baixa, especialmente após ter sido bombardeado duas vezes durante as negociações.
A diretora do programa para o Oriente Médio e Norte da África da Chatham House, Sanam Vakil, comentou que “os iranianos já foram enganados por Trump duas vezes” e que estarão “extremamente céticos”. O Irã busca “garantias críveis” de que não será atacado novamente.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, já declarou que as condições para o fim da guerra incluem compensação pela destruição. O Irã também reafirmou que não abrirá mão de seus arsenais de mísseis e drones.
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, está em contato com o Irã, o Egito, os EUA e a União Europeia sobre o fim do conflito. O Paquistão se ofereceu para sediar negociações entre os EUA e o Irã, com a participação do vice-presidente JD Vance prevista para esta semana. No entanto, Israel demonstra resistência em encerrar a guerra, com uma fonte israelense afirmando que um acordo com o Irã não é “tangível neste momento”.

