A arara-azul desempenha um papel crucial no Pantanal ao ajudar a preparar o ambiente para mais de 40 espécies migratórias que passam pela região. O tema foi abordado na quinta-feira (26), no espaço Conexão sem Fronteiras, durante a Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada em Campo Grande.
A espécie cria cavidades em árvores durante o período de reprodução, que são utilizadas por aves migratórias. A presidente do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, explicou: ‘As araras ampliam cavidades para construir ninhos. Depois, mais de 40 espécies que já identificamos usam para se reproduzir. Dentro dessas espécies, algumas são migratórias que ocupam essas cavidades.’
Neiva também destacou que a arara-azul contribui para manter o ambiente saudável. ‘Quando elas mantêm um ambiente saudável para elas, estão mantendo para todo mundo. Para os pequenininhos, para os grandes, para os fungos, para todas as espécies.’
Algumas das espécies que utilizam as cavidades feitas pelas araras-azuis incluem colhereiros, maçaricos, águia-pescadora, corujas, gaviões e outros pássaros. Neiva explicou que algumas dessas aves vão para se reproduzir, enquanto outras usam as cavidades como abrigo para alimentação.
A diretora-executiva do Instituto Arara Azul, Elisa Mense, afirmou que as aves anfitriãs, como a arara-azul, vivem em habitats que precisam ser conservados. ‘O Pantanal funciona como um grande centro receptor de espécies migratórias. A arara-azul é uma anfitriã porque todo o ambiente dela precisa ser conservado para que ela exista.’
A mediadora da roda de conversa, Claudia Gaigher, ressaltou a importância dessas espécies para o equilíbrio ecológico. ‘Elas sinalizam para as migratórias que o ecossistema está em boas condições. Mesmo sendo espécies que têm as suas especificidades ecológicas, elas são o que demonstram que aquele ambiente está saudável.’
As araras-azuis também são um exemplo de conservação devido à sua relação com as pessoas e à função que exercem na natureza. Elas ajudam a espalhar sementes, com estudos mostrando que podem dispersar sementes até um quilômetro de distância. ‘Com isso, elas agem igual as antas, outros grandes mamíferos que são dispersores de florestas,’ explicou Neiva.
Outro ponto discutido foi a importância de conservar a espécie e os ambientes. Neiva afirmou: ‘As mudanças climáticas chegaram, isso é fato, não tem volta, e as nossas escolhas importam.’ Ela também alertou sobre o impacto de práticas como o uso de plásticos e combustíveis fósseis no meio ambiente. ‘As nossas escolhas vão ajudar não só as araras-azuis, mas a nossa própria sobrevivência.’


