Representantes do Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai discutem na 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada em Campo Grande, a inclusão do pintado no Anexo II do tratado internacional. A votação da proposta ocorrerá no domingo (29), último dia do evento, quando os países finalizam os acordos globais de conservação.
A inclusão do pintado no Anexo II pode ampliar a proteção da espécie, que enfrenta ameaças como barragens, mudanças climáticas e sobrepesca. O pintado é considerado um dos peixes mais emblemáticos dos rios da América do Sul e se tornou tema de debate internacional. A proposta apresentada pelo Brasil visa incluir a espécie em uma lista que prioriza ações de conservação entre os países.
Se aprovada, a inclusão no Anexo II não proíbe a pesca do pintado, mas obriga os países a cooperar na proteção da espécie. “O primeiro passo é conseguir aprovar aqui nessa COP a inclusão do pintado no Anexo II dessa convenção”, afirmou Braulio Ferreiro de Sousa Dias, do Ministério do Meio Ambiente. Ele destacou que a votação acontecerá na plenária final do evento e que o próximo passo será aprovar o plano de ação.
A Convenção sobre Espécies Migratórias divide os animais em duas listas, com níveis diferentes de proteção. O Anexo I abrange espécies ameaçadas, com restrições severas para qualquer uso. O Anexo II reúne espécies que não estão em situação crítica, mas que necessitam de atenção e monitoramento. “Tem um Anexo II das espécies que estão com uma situação de preocupação”, explicou Braulio Ferreiro de Sousa Dias.
Incluir o pintado no Anexo II significa que a espécie se tornará prioridade em acordos internacionais, incentivando a cooperação e a criação de planos conjuntos de conservação entre os países onde a espécie habita. O pintado vive na Bacia do Prata e percorre rios de vários países ao longo de seu ciclo de vida, o que torna a cooperação internacional essencial para sua sobrevivência. “O pintado não respeita fronteiras”, afirmou Carla Polaz.
Especialistas alertam que o pintado enfrenta riscos crescentes. “As ameaças que o pintado vem sofrendo se relacionam à interrupção das rotas migratórias e a construção de uma hidrelétrica interrompe esse ciclo”, disse Lisiane Hahn. Ela também mencionou o impacto das mudanças climáticas e da pesca excessiva.
O pintado é um peixe de grande porte, importante para o equilíbrio dos rios e para a economia, sendo valorizado tanto na pesca esportiva quanto na alimentação. “É uma espécie topo de cadeia, equivalente à onça-pintada para ambientes terrestres”, explicou Lisiane.
Se a proposta for aprovada no domingo (29), o pintado se tornará prioridade em acordos internacionais, facilitando a criação de regras comuns, a troca de informações entre países e o acesso a recursos para conservação. A decisão pode representar um avanço significativo para evitar a queda das populações de pintado nos rios da América do Sul, dependendo do voto final dos países na COP15.

