A Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá nos Estados Unidos, México e Canadá, pode ser histórica não apenas pelo futebol, mas também pelo contexto geopolítico. Pela primeira vez, uma seleção classificada pode participar do torneio em um país com o qual está em guerra direta. O conflito entre os EUA e o Irã se intensificou após um ataque americano no último sábado (28), levantando dúvidas sobre a participação do Irã no Mundial.
O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, declarou à televisão iraniana que, diante da situação, não há esperança de que o Irã dispute a Copa do Mundo. Ele afirmou:
““O que é certo neste momento é que, com este ataque e esta crueldade, não podemos ter esperança de participar da Copa do Mundo.””
Além disso, Taj anunciou a suspensão do campeonato nacional iraniano.
O especialista em política internacional, Vito Villar, analisou o impacto do conflito nos eventos esportivos, afirmando que a Copa do Mundo de 2026 apresenta uma nova realidade devido à guerra entre Irã e Estados Unidos. Villar comentou:
““Isso gera uma situação inédita. Já houve, inclusive, dificuldades diplomáticas.””
Ele também mencionou a boa relação entre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o presidente dos EUA, Donald Trump, o que pode influenciar a posição da FIFA em relação ao Irã.
O Irã está no Grupo G da Copa do Mundo, ao lado de Bélgica, Nova Zelândia e Egito. Até o momento, o país não tomou uma decisão definitiva sobre sua participação. Villar acredita que o boicote é uma possibilidade real e que os Estados Unidos podem apoiar essa decisão.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) afirmou que está acompanhando os desdobramentos do conflito, mas ainda não tem um posicionamento oficial. Em contato com a reportagem, a CBF declarou:
““A CBF acompanha os acontecimentos e está em contato permanente com a FIFA, mas por enquanto não vai se manifestar.””
A FIFA, por sua vez, observa a situação com cautela. Fontes ligadas à entidade afirmam que é improvável que haja mudanças nas seleções participantes ou nos países-sede do torneio. No entanto, o presidente da Federação Iraniana de Futebol considerou a participação do Irã como ‘improvável’, mas não tomou uma decisão final.
Historicamente, a Copa do Mundo não foi realizada entre 1939 e 1945 devido à Segunda Guerra Mundial, mas ocorreu sob a Ditadura Militar na Argentina em 1978. A FIFA também foi criticada por realizar a competição na Rússia em 2018, em meio ao contexto da anexação da Crimeia.
As partidas da repescagem estão agendadas para os dias 26 e 31 de março, no México, envolvendo seleções como Nova Caledônia, Jamaica, República Democrática do Congo, Bolívia, Suriname e Iraque. O México, que enfrentou uma onda de violência após a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como ‘El Mencho’, já retoma suas atividades normais.
A Fórmula 1 e a FIA também estão avaliando os impactos do conflito no campeonato atual, com a categoria cancelando treinos no Bahrein. O presidente da FIA, Mohammed ben Sulayen, emitiu uma nota oficial pedindo calma e segurança na região. Eventos esportivos no Irã foram cancelados indefinidamente, e a Associação de Futebol do Catar adiou todas as partidas no país.

