As ações da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) fecharam em alta de 3,01% nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, com o anúncio da proximidade da privatização da companhia.
Durante o dia, os papéis da empresa chegaram a registrar alta superior a 4%. O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), afirmou que a cidade está próxima de renovar o contrato de água e esgoto com a Copasa até 2073. Este contrato é o maior da companhia, representando 40% da receita da estatal e é considerado essencial para o sucesso da privatização.
O prefeito destacou que o contrato está em fase avançada de negociação, mas ainda é necessário “acertar alguns pontos”. Ele afirmou:
““Por parte da prefeitura de Belo Horizonte, já ‘está quente’. Estou renovando o contrato com a Copasa para resolver os problemas da cidade, problemas que há muito tempo estão se arrastando. Nós só não vamos aceitar mais [o contrato] como era, o atendimento que era dado.””
Damião também ressaltou a boa relação entre a companhia e o município, afirmando que não há intenção de substituir a Copasa por outra empresa. Ele comentou sobre a situação da Lagoa da Pampulha, afirmando:
““Nós não vamos fazer um novo contrato se não tirarem todo o esgoto da Lagoa da Pampulha que tem que ser retirado e ponto final. Se o maior ativo é Belo Horizonte, então conversa com Belo Horizonte.””
A presidente da Copasa, Marília Melo, mencionou que em “poucos dias” novas informações sobre a privatização serão divulgadas e afirmou que a venda será finalizada em 2026. Ela declarou:
““Estamos em conversa com o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, mas estamos prontos para que a gente conclua esse ano.””
Marília também citou a privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), finalizada em 2024, como referência para o processo em Minas Gerais. A Sabesp já manifestou interesse em investir na Copasa, mas aguarda a modelagem do processo de licitação, que ainda está em fase de ajustes.
Na semana passada, o CEO da Sabesp, Carlos Piani, afirmou que a empresa paulista tem interesse na Copasa, mas avaliou que as decisões sobre o processo têm ocorrido de forma lenta. Ele destacou:
““A definição do contrato de Belo Horizonte será crítico para a avaliação do negócio.””
A lei que autoriza a privatização da Copasa entrou em vigor em 23 de dezembro de 2025. A proposta, de autoria do então governador Romeu Zema (Novo), foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais uma semana antes da sanção. Com a publicação da lei, o Governo de Minas está autorizado a iniciar o processo de desestatização da companhia, com a intenção de usar os recursos obtidos para amortizar a dívida do Estado com a União.

