A CPMI do INSS finalizou seus trabalhos sem a aprovação de um relatório final. A decisão ocorreu após a rejeição do parecer elaborado por Alfredo Gaspar (PL-AL), representando uma vitória para a base aliada ao governo Lula (PT).
A comissão, instalada em agosto de 2025, atuou por sete meses e foi marcada por intensos embates entre parlamentares governistas e de oposição. Na sessão realizada na sexta-feira (27), a CPMI conheceu o texto de Gaspar, que continha cerca de 4,3 mil páginas e propunha o indiciamento de mais de 200 pessoas por descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
O parecer foi rejeitado por 19 votos a 12. Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, afirmou que a escolha de um novo relator é discricionária ao presidente e não deu seguimento ao “relatório paralelo” elaborado pela base governista.
O relatório da maioria, que pedia o indiciamento de 131 pessoas, incluía o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O parecer de Gaspar, por sua vez, mencionava indiciamentos que incluíam Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.
A CPMI enfrentou dificuldades desde sua instalação, incluindo a não eleição de um presidente da comissão que fosse da base governista. Além disso, houve disputas com o STF, que concedeu Habeas Corpus a várias testemunhas e investigados, permitindo que se ausentassem ou permanecessem em silêncio durante os depoimentos.
Um dos episódios mais críticos foi o vazamento de dados sigilosos do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. O ministro André Mendonça impediu o acesso da CPMI a documentos e equipamentos apreendidos após a divulgação de mensagens íntimas do banqueiro.


