A CPMI do INSS, presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), enfrenta dificuldades para investigar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, Viana afirmou que ainda não há provas suficientes para avançar nas investigações.
O senador destacou que a falta de evidências se deve a entraves impostos durante a investigação. Ele afirmou: “Nós não podemos indiciar pessoas sobre as quais não temos provas”. Viana atribuiu essa limitação à atuação da base governista no Congresso, que teria barrado requerimentos essenciais para aprofundar as apurações.
Sem a quebra de sigilos e novos depoimentos, a CPMI ficou restrita a informações já conhecidas, como reportagens e indícios preliminares. A declaração de Viana ocorre após a prorrogação da CPMI, que ele classificou como uma “vitória institucional” por garantir a continuidade das investigações sobre um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.
Até o momento, a comissão já identificou um esquema de grandes proporções, com 14 pessoas presas e cerca de R$ 3,5 bilhões apreendidos. Viana criticou a base do governo, afirmando que pedidos de investigação mais aprofundada foram rejeitados: “Só não avançamos na direção de mais investigações porque a base do governo derrubou a maior parte dos requerimentos”.
Com a prorrogação, a expectativa é que a CPMI retome pedidos de quebra de sigilo e convocação de investigados. Viana declarou que, caso essas medidas sejam aprovadas, será possível esclarecer o grau de envolvimento de diferentes atores: “Se durante esses 60 dias a base do governo nos permitir quebrar sigilos, aí sim poderemos ter clareza”.
A CPMI também deve avançar sobre o sistema financeiro, especialmente o crédito consignado. O senador criticou a atuação de bancos, afirmando que “os aposentados brasileiros hoje são reféns de um sistema podre e sem controle”.
O debate ocorre em um contexto de disputa eleitoral, o que pode intensificar o uso político das investigações. O cientista político Adriano Cerqueira avaliou que a oposição deve explorar o tema para desgastar o governo, enquanto aliados tentarão conter os danos.


