A disparada do preço do diesel está pressionando a inflação dos alimentos no Brasil, impactando diretamente a produção agrícola e a logística de distribuição dos produtos.
A crise do petróleo, provocada pela guerra no Irã, desorganizou a cadeia de distribuição de diesel no país, que importa cerca de 20% do diesel consumido internamente. Há uma crescente diferença entre o preço praticado pelas refinarias da Petrobras e o que é importado pelas distribuidoras nacionais.
No Rio Grande do Sul, o desafio se intensifica no momento da colheita de arroz, soja e milho. Segundo Eberaldo de Almeida Neto, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), o problema está relacionado à estrutura de abastecimento da região.
““A oferta no Sul é complementada por importação. Em período de safra, como agora, essa demanda cresce e a importação se torna ainda mais importante”,”
explica.
A reação dos produtores ao aumento de custo é repassar o preço ao consumidor final ou reduzir a margem da operação. A defasagem do diesel no Brasil beira os R$ 3, o que pressiona os importadores. Almeida Neto afirma que a defasagem no preço praticado pela Petrobras em relação ao mercado internacional diminui os incentivos para que os importadores tragam o produto ao mercado nacional.
““Se há sinalização de controle de preços, o investidor se afasta. Ninguém consegue operar com risco de mercado e, ao mesmo tempo, com preços artificialmente represados”,”
complementa.
Para Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, o impacto vai além do setor de energia.
““Como o combustível é a base do transporte no Brasil, qualquer interrupção afeta o escoamento da produção, encarece o frete e chega rapidamente ao preço dos alimentos”,”
afirma. Mesmo sendo um problema regional, os efeitos tendem a se espalhar.
““O Rio Grande do Sul é um dos principais produtores do país. Quando há dificuldade na distribuição, o impacto se espalha e pode atingir o consumidor em todo o Brasil”,”
observa Godoy.
O impacto final da crise, entretanto, dependerá da duração da escassez. Se o abastecimento voltar ao normal nas próximas semanas, os efeitos tendem a ser limitados. Caso contrário, a pressão sobre os preços pode se espalhar para diferentes setores da economia.


