O fechamento do Estreito de Ormuz, por quase um mês, gerou alertas sobre a possibilidade de uma crise energética ainda mais severa do que a vivida nos anos 1970.
Lars Jensen, especialista em transporte marítimo e ex-diretor da Maersk, afirmou que o impacto da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã pode ser “substancialmente maior” do que a crise econômica de 50 anos atrás. Sua declaração segue o alerta do diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, que indicou que o mundo está “enfrentando a maior ameaça da história à segurança energética global”.
Jensen destacou que a situação atual é “muito maior do que os choques do preço do petróleo” da década de 1970 e também superior ao choque do gás natural causado pela invasão russa na Ucrânia. Apesar do fechamento do Estreito de Ormuz, que afeta as cadeias globais de suprimentos, alguns especialistas acreditam que o mundo de hoje é mais resiliente a esses impactos.
A crise do petróleo dos anos 1970 foi “fundamentalmente diferente” da atual, conforme explicou Carole Nakhle, economista e chefe executiva da Crystol Energy. O primeiro choque do petróleo ocorreu em outubro de 1973, quando produtores árabes impuseram um embargo a países que apoiavam Israel durante a Guerra do Yom Kippur, resultando em um aumento quase quadruplicado no preço do petróleo em poucos meses.
Esse aumento gerou racionamentos e uma crise econômica global, com consequências duradouras, como inflação elevada e aumento do desemprego. Tanto os Estados Unidos quanto o Reino Unido enfrentaram recessões entre 1973 e 1975, e o Brasil, que experimentava um crescimento econômico, viu seu PIB cair drasticamente após o choque do petróleo.
Desde o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz ficou praticamente fechado, interrompendo o fornecimento de petróleo e gás. Jensen alertou que, mesmo que o tráfego pelo estreito seja reaberto, a falta de petróleo se agravará, resultando em altos preços de energia por até 12 meses após a crise.
Nakhle ressaltou que, embora os preços estejam altos, a crise atual não é tão grave quanto a dos anos 1970, devido à diversificação do mercado de petróleo e à redução de seu peso na economia global. Heaney, da Queen’s University Belfast, também apontou que o entendimento econômico atual e a existência de reservas fora do Oriente Médio podem ajudar a mitigar os impactos.
Alicia Garcia Herrero, economista-chefe da Natixis CIB, alertou que a crise atual pode resultar em aumentos acentuados de preços e riscos de recessão, especialmente em países asiáticos que dependem do petróleo. Ela destacou que, enquanto as reservas oferecem alguma margem, a escala da perda de suprimentos torna a situação crítica.

