A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto solicitou à Justiça, nesta sexta-feira (20), a revogação da prisão preventiva do oficial, que é réu pela morte da soldado Gisele Alves Santana.
A prisão foi decretada tanto pela Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, uma situação que os advogados classificam como um “decreto dúplice de prisão”. Os advogados argumentam que o oficial é réu primário, possui residência fixa e bons antecedentes, além de exercer atividade lícita.
Os defensores afirmam que Geraldo colaborou com as investigações ao acionar a polícia no dia do ocorrido, comparecer espontaneamente à delegacia, entregar o celular para perícia, indicar testemunhas e participar da reconstituição dos fatos.
Após a decretação da prisão, a defesa ingressou com uma reclamação no STJ (Superior Tribunal de Justiça), solicitando um pedido liminar para relaxamento da medida. Os advogados sustentam que a Justiça Militar não tem competência para atuar no caso, pois o crime teria ocorrido em âmbito privado e sem relação com a função policial.
O pedido foi apresentado durante audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda, mas foi negado. O juiz entendeu que a análise naquele momento se limitava à legalidade da prisão e às condições do detido, sem reavaliar o mérito da decisão ou a competência do juízo que a determinou.
A defesa ainda estuda a possibilidade de impetrar um habeas corpus para questionar a prisão decretada pelo TJSP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), que é responsável pelo processo que tramita no Tribunal do Júri. O TJSP informou que o processo corre sob segredo de justiça.
Segundo o tenente-coronel, Gisele teria tirado a própria vida após uma crise no relacionamento, marcada por ciúmes e discussões. Ele afirma que o casamento se deteriorou ao longo do tempo, agravado por desconfianças da esposa sobre supostas traições, que ele diz serem fruto de boatos.
No dia da morte, Geraldo afirma que o casal discutiu após ele comunicar a intenção de se separar. Ele relata que foi ao banheiro e ouviu um disparo, encontrando Gisele caída com a arma na mão. O tenente-coronel tentou justificar pontos considerados suspeitos pela investigação, como a demora para acionar socorro e contradições em seu relato.
O Ministério Público sustenta que há indícios de feminicídio e tentativa de simular suicídio, destacando divergências entre o relato do oficial, laudos periciais e depoimentos. A investigação aponta inconsistências na versão apresentada por Geraldo.

