A Polícia Federal (PF) investiga o delegado Diogo Gonçalves Bem, da Polícia Civil de Pernambuco, por supostamente ter financiado uma fraude no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024 para beneficiar sua esposa, Lariça Saraiva Amando Alencar, que foi aprovada em primeiro lugar para o cargo de auditora-fiscal no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A informação foi revelada em uma representação da PF à Justiça Federal na Paraíba, onde a corporação detalha um esquema de fraudes em concursos públicos. O caso foi exibido no programa “Fantástico” no dia 22 de março.
A Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco informou que abriu uma investigação sobre a participação do delegado. Segundo a PF, o grupo criminoso atuava oferecendo aprovação em concursos mediante pagamento, que poderia ser feito antes ou depois das provas.
A suposta participação de Diogo Bem e Lariça Saraiva veio à tona após a delação premiada de Thyago José de Andrade, apontado como chefe da organização criminosa, e de sua companheira, Lais Giselly Nunes de Araújo. A PF destacou que Thyago não detalhou como ocorreu o repasse de respostas do concurso à esposa do delegado.
No depoimento de Lais Giselly, ela afirmou que “uma esposa de um delegado também fraudou o concurso do CNU, sendo aprovada em primeiro lugar”. A discrepância nas notas de Lariça nas diferentes fases do concurso chamou a atenção da PF, que observou que ela obteve notas altas nas provas objetiva e discursiva, mas notas baixas na segunda fase do curso de formação.
O delegado Diogo Bem é acusado de ter financiado a fraude que beneficiou sua esposa, que foi aprovada em primeiro lugar no concurso. A PF informou que o g1 tentou contato com o delegado e com Lariça, mas ambos não responderam até a última atualização da reportagem.
A Polícia Civil de Pernambuco não se manifestou sobre o caso, afirmando que não se pronuncia sobre investigações de outros órgãos. A Corregedoria da SDS iniciou uma investigação preliminar para verificar as informações e coletar subsídios necessários à análise de eventuais condutas irregulares do servidor.
Os envolvidos, Thyago José e Lais Giselly, manifestaram por meio de advogados que não fazem parte de nenhuma organização criminosa e que são inocentes. A Fundação Cesgranrio, responsável pelo CNU, afirmou que as investigações tratam de organizações criminosas externas e que a instituição é vítima dessas tentativas de fraude.
A “Operação Concorrência Simulada”, deflagrada pela PF em 17 de março, cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva em cidades da Paraíba, Pernambuco e Alagoas. O esquema era liderado por uma família de Patos, na Paraíba, e cobrava até R$ 500 mil pela aprovação em concursos.

