A deputada estadual Delegada Sheila (PL), ex-vereadora de Juiz de Fora, firmou um acordo com o Ministério Público Eleitoral para encerrar um processo em que era acusada de propagar informações falsas durante as eleições municipais de 2024, em Belo Horizonte.
A decisão foi homologada no dia 11 de março pela juíza Christina Bini Lasmar, da 29ª Zona Eleitoral. Como parte do acordo, Delegada Sheila pagará uma multa de R$ 45 mil e admitiu ter utilizado trechos descontextualizados do livro Cobiça, de autoria do então prefeito Fuad Noman (PSD), para tentar influenciar o eleitorado.
Além dela, outros políticos, incluindo o deputado federal Nikolas Ferreira, o deputado estadual Bruno Engler, que concorria à prefeitura de BH, e a candidata a vice-prefeita Coronel Cláudia, foram identificados como suspeitos de promover uma estratégia organizada de desinformação para prejudicar a imagem de Fuad Noman, que faleceu em março do ano passado.
Com a homologação do acordo, a juíza determinou o desmembramento do processo, que prossegue normalmente contra os demais denunciados. O pagamento da multa será feito em 10 parcelas e revertido para uma entidade de proteção à infância.
Em nota, Delegada Sheila afirmou que o valor será utilizado para auxiliar menores. Ela declarou:
“”Como nunca respondi a nenhum processo, achei melhor fazer o acordo pra evitar esse desgaste todo. Além disso, o valor estipulado vai ser revertido para uma entidade de proteção à infância, tenho certeza que será bem empregado e vai auxiliar muitas crianças”.”
Além do pagamento, a Justiça determinou a publicação de um texto de retratação na conta do Instagram da deputada, que deve permanecer visível por no mínimo sete dias, e o reconhecimento da autoria e da falsidade da conexão criada entre a obra literária e a gestão do então prefeito.
Apesar da confissão, o Ministério Público Eleitoral retirou a cláusula que previa a suspensão dos direitos políticos da deputada por 18 meses, considerando que sua conduta teve “menor índice de reprovabilidade”. Assim, ela permanece apta a disputar futuras eleições.
De acordo com o Ministério Público Eleitoral, Delegada Sheila postou um vídeo nas redes sociais citando trechos do livro Cobiça, sugerindo que o autor endossava crimes contra crianças, e fez um pedido explícito de voto para Bruno Engler. A denúncia afirma que ela aderiu ‘de forma livre e consciente’ à campanha de desinformação, ofendendo a honra de Fuad Noman.
O vídeo foi respostado por Bruno Engler, evidenciando um ‘propósito eleitoral’.


