A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) está sendo investigada pelo Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) após utilizar ‘blackface’ durante um discurso no plenário. Ela não possui parentesco com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, tendo adotado o sobrenome por estratégia política na eleição de 2022.
Fabiana de Lima Barroso Souza, filha do pastor evangélico Adilson Barroso, se posiciona como uma política conservadora e apoiadora das pautas de Jair Bolsonaro. O pastor Barroso, que fundou o antigo Partido Patriota, atualmente Partido Renovação Democrática (PRD), incentivou a filha a seguir a carreira política.
O primeiro cargo político de Fabiana foi como vice-prefeita de Barrinha, SP, entre 2021 e 2023. Em 2022, ela se elegeu deputada estadual com 65.497 votos. Atualmente, a parlamentar faz parte da Frente Parlamentar Evangélica e está matriculada em cursos de Jornalismo e Gestão Pública.
Dezoito deputados de partidos como PT e PSOL protocolaram uma representação no Conselho de Ética, pedindo a apuração de uma possível quebra de decoro parlamentar. O pedido se baseia no discurso da deputada, onde ela se pintou de marrom e fez declarações sobre identidade de gênero, o que foi considerado ofensivo e discriminatório.
““Blackface é considerada um ato racista por remeter a estereótipos históricos usados para ridicularizar pessoas negras”, afirmaram os parlamentares na representação.”
A deputada também questionou a atuação de pessoas trans em espaços de poder, o que gerou críticas e reações nas redes sociais. Em sua defesa, Fabiana afirmou que sua fala foi distorcida e que a representação não considera a liberdade de expressão.
““Muitos estão distorcendo a minha fala e o sentido do meu protesto”, disse Fabiana em suas redes sociais.”
A Alesp declarou que o Conselho de Ética é o órgão responsável por analisar casos que excedem a imunidade parlamentar. A deputada também registrou um boletim de ocorrência por racismo contra Fabiana Bolsonaro.
Durante seu discurso, Fabiana comparou a experiência de ser mulher negra com a de pessoas trans, afirmando que não se pode ocupar o lugar do outro. Ela criticou a escolha de Érika Hilton como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, argumentando que isso tira espaço de mulheres cis.
““Transexual tem que ser respeitado sim. Mas não quero que nenhum trans tire meu lugar”, afirmou Fabiana.”

