O grau de ceticismo e desalento dos eleitores aumentou nas últimas eleições, conforme análise de Christopher Garman, diretor-executivo do grupo Eurasia. Garman observa que muitos brasileiros acreditam que o ‘sistema está quebrado’, o que se refletiu nas urnas.
Ele destaca que Jair Bolsonaro foi eleito em uma plataforma que se opunha a esse sistema, incluindo o judiciário e a mídia. ‘Tanto que Jair Bolsonaro foi eleito em uma plataforma, que se contrapunha a esse sistema’, afirmou Garman.
Esse fenômeno se repetiu em 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva venceu as eleições com uma campanha que não era a do ‘Lulinha paz e amor’. ‘Foi uma campanha mais antissistema, contra os ricos e poderosos’, diz Garman.
No entanto, o cenário para 2026 apresenta diferenças. As principais forças políticas estão desgastadas perante a população. Uma pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg revela que 52% dos entrevistados rejeitam votar em Lula, enquanto 46,1% não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro.
Além disso, 47,4% temem uma reeleição de Lula e 44,5% de Flávio Bolsonaro. O pessimismo também se reflete na percepção do presente e futuro do país, com 61% da população se sentindo desanimada, segundo o Datafolha.
Garman aponta que ‘o eleitor não está esperançoso que vai conseguir avançar na vida, que está meio preso’. Apesar dos dados econômicos positivos, como um aumento de 19% na renda real nos últimos três anos e um desemprego de 5%, a maioria acredita que o país está indo na direção errada.
A corrupção e a segurança são preocupações centrais para os eleitores. A sondagem da Atlas indica que a corrupção é a maior preocupação, seguida pela criminalidade, que atinge 53,3%. ‘Esse é o pano de fundo de pensar essa eleição’, conclui Garman.

