Mais de 3 mil pessoas desaparecem anualmente em Goiás, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Nos últimos cinco anos, 17,4 mil pessoas foram registradas como desaparecidas no estado, o que representa uma média de 10 casos por dia. O aumento nos desaparecimentos foi de quase 33% entre 2021 e 2025, período em que 9,2 mil casos foram solucionados.
Entre janeiro e fevereiro de 2026, 562 casos de desaparecimento foram registrados. Para cada 10 pessoas desaparecidas, cinco casos foram resolvidos, enquanto a outra metade permanece sem solução.
Na capital, Goiânia, o cenário é diferente. O delegado Pedromar Augusto de Souza, do Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID), informou que desde outubro de 2024, o grupo investiga também os desaparecimentos de menores. Todos os casos de crianças e adolescentes nos últimos dois anos foram solucionados. O índice de localização de pessoas maiores de idade foi de 93,89% em 2024 e 96,47% em 2025.
Atualmente, a Interpol busca sete desaparecidos em Goiás. O caso mais antigo é de Rosana Ferrari Pandim, que desapareceu em 1973, aos 11 anos, em Goiânia. Ela foi vista pela última vez a caminho da escola, conversando com um homem desconhecido.
Outro caso notável é o de Mayra da Silva Paula, desaparecida desde 3 de julho de 2009, após deixar uma carta para a mãe revelando sua gravidez. Mayra nunca chegou ao encontro da família em Nova Glória.
Maykon Eder Alves de Jesus desapareceu em 2017, aos 23 anos, enquanto tentava entrar nos Estados Unidos de forma ilegal. Ele foi visto pela última vez em contato com a família em agosto daquele ano.
Entre os casos mais recentes, destaca-se o desaparecimento do ativista ambiental João Paulo Vaz da Silva, que sumiu na Chapada dos Veadeiros em 8 de dezembro de 2025. O desaparecimento foi registrado na Polícia Civil em 16 de dezembro.
A biomédica Érika Luciana de Sousa Machado, de 47 anos, está desaparecida desde 1º de novembro de 2025, após um acidente de carro em Corumbá de Goiás. Sua família continua sem respostas sobre seu paradeiro.
Casos de desaparecimentos voluntários também são comuns. Gisele Heloísa Alves Silva, de 29 anos, desapareceu em 6 de maio, mas foi encontrada dias depois, explicando que havia sumido devido a dívidas.
Recentemente, uma mãe e filha se reencontraram após mais de 40 anos. Maria Luiza Gomes Soares, de 68 anos, entregou sua filha a um casal por problemas financeiros e, após a busca de Ludimila Gomes Duarte, de 41 anos, elas se encontraram na delegacia do GID.
O MJSP orienta que, em caso de desaparecimento, o boletim de ocorrência deve ser registrado imediatamente, sem a necessidade de esperar 24 horas. É fundamental fornecer informações detalhadas sobre a pessoa desaparecida.


