Noelia Castillo, uma jovem espanhola de 25 anos, obteve autorização para a eutanásia após um longo processo judicial que se estendeu por quase dois anos. O caso envolveu avaliações médicas sucessivas, validação por uma comissão independente e uma disputa judicial movida por seu pai, que tentou barrar o procedimento.
Antes de solicitar a eutanásia, Noelia enfrentou um histórico de sofrimento psicológico. Após episódios de violência sexual, ela desenvolveu fragilidade emocional e tentou suicídio, resultando em paraplegia devido a uma queda de um prédio. Desde então, passou a depender de cadeira de rodas e conviveu com dor crônica.
Durante os anos seguintes, Noelia foi acompanhada por equipes de saúde mental e especialistas. Relatórios psiquiátricos e psicológicos indicaram que ela apresentava estabilidade clínica e capacidade de compreensão, requisitos essenciais para o procedimento de eutanásia.
Em julho de 2024, a Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha analisou o caso e autorizou a eutanásia, considerando que a jovem atendia aos critérios legais, como condição clínica grave e sofrimento persistente.
Após a autorização, o pai de Noelia contestou a decisão na Justiça, alegando que a filha não tinha condições psicológicas para tomar tal decisão. A contestação foi apoiada pelo grupo ultracatólico Abogados Cristianos, que atuou em diversas frentes para tentar suspender a eutanásia, incluindo recursos ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que rejeitou a solicitação de suspensão cautelar.
Em novembro de 2024, a Justiça negou legitimidade ao pai para contestar a escolha da filha, afirmando que se tratava de um direito individual. Contudo, uma instância superior posteriormente reconheceu que familiares podem ter interesse legítimo em questionar o procedimento, sem que isso signifique decidir no lugar do paciente.
Os documentos do processo indicaram que não havia diagnóstico de incapacidade mental e que Noelia compreendia o procedimento, expressando sua vontade de forma consistente. Em março de 2026, uma nova tentativa de barrar a eutanásia foi negada, permitindo que o procedimento fosse realizado conforme os critérios legais.
O caso de Noelia Castillo ilustra as complexidades das decisões sobre eutanásia, envolvendo análises médicas, éticas e jurídicas. Embora a eutanásia seja um direito individual na Espanha, a legislação permite que familiares questionem o processo, especialmente em relação à capacidade do paciente.
A eutanásia é legal na Espanha desde 2021, com critérios rigorosos que incluem a necessidade de uma condição grave e incurável, sofrimento intolerável e a avaliação de profissionais de saúde. No Brasil, a eutanásia é proibida, mas a ortotanásia é permitida, focando no conforto do paciente em situações terminais.

