Dominik Krause, do Partido Verde, foi eleito o primeiro prefeito assumidamente gay de Munique, na Alemanha, em 22 de março de 2026. A cidade, que é a terceira maior do país e capital do estado mais rico, também elegeu seu primeiro prefeito do Partido Verde, quebrando uma hegemonia de 42 anos do partido de esquerda SPD.
Krause, de 35 anos, se tornou prefeito em um contexto de aumento dos casos de homofobia em toda a Alemanha. Sua sexualidade e vida privada não foram temas durante a campanha, refletindo uma mudança cultural em um país mais favorável à diversidade sexual. Ele se assumiu gay aos 11 anos e está noivo do médico Sebastian Müller, com quem se beijou durante a celebração da vitória.
O novo prefeito foi vereador desde 2014 e vice-prefeito desde 2023. Sua eleição foi impulsionada por uma fadiga em relação às gestões do SPD, especialmente do ex-prefeito Dieter Reiter, que estava no cargo há 12 anos. Krause focou sua campanha em propostas de ampliação de áreas verdes, ciclovias e moradia popular.
A homossexualidade de Krause é vista em um contexto menos dramático do que a de seus antecessores em outras grandes cidades. Em Berlim, Klaus Wowereit se assumiu publicamente em 2001, e em Hamburgo, Ole von Beust enfrentou chantagens em 2003. Ambos os casos ocorreram em um ambiente de maior preconceito.
A Alemanha, apesar de ser um dos países mais tolerantes em relação à sexualidade, registrou em 2025 um aumento alarmante de crimes homofóbicos, totalizando 2.048 casos, o maior número da série histórica. Desde 2010, o número de crimes homofóbicos aumentou dez vezes, coincidente com o crescimento de movimentos e partidos de extrema-direita.
O secretário-geral do Partido Social Democrata, Kevin Kühnert, expressou preocupação com a segurança de casais gays em Berlim. Em 2025, paradas do orgulho gay foram canceladas em Regensburg e Gelsenkirchen devido a ameaças. O atual governo conservador também encerrou o projeto

