A Eletronuclear, estatal responsável pelas usinas de Angra 1 e 2, encerrou o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 142 milhões. O resultado representa uma reversão em relação ao lucro de R$ 544 milhões registrado em 2024. A queda na receita, o aumento dos custos operacionais e a ausência de efeitos contábeis extraordinários do ano anterior pressionaram os resultados da empresa.
A receita com a venda de energia caiu de R$ 4,8 bilhões para R$ 4,1 bilhões. Ao mesmo tempo, os custos operacionais se mantiveram elevados. O combustível nuclear consumiu aproximadamente R$ 883 milhões durante o ano, enquanto os custos operacionais com pessoal, materiais e serviços totalizaram R$ 1,1 bilhão.
As notas explicativas da empresa indicam que os custos da operação nuclear permanecem altos. O combustível nuclear é contabilizado como estoque e apropriado ao resultado conforme a geração de energia, o que gera pressão contínua sobre as despesas ao longo do tempo. Um fator que contribui para essa situação é a guerra da Rússia contra a Ucrânia. A Eletronuclear relatou que, desde então, enfrenta dificuldades e limitações de mercado para a aquisição de um insumo importante para a produção de energia nuclear, o hidróxido de lítio-7.
Além disso, o projeto da usina Angra 3, que está parada desde 2015, continua a impactar os resultados da empresa. A receita relacionada à construção da usina caiu de R$ 469 milhões para R$ 299 milhões no período. Para mitigar o risco de liquidez e garantir a continuidade do projeto Angra 3, a companhia, com o apoio do seu acionista controlador (ENBPar), está adotando um conjunto de medidas em um plano de ação para captação de recursos financeiros e implementando ações administrativas de redução de custos.

