O endividamento das empresas no Brasil alcançou R$ 2,3 trilhões em 2025, gerando preocupações sobre a saúde financeira das companhias. O número de pedidos de recuperação judicial também atingiu recordes, refletindo a pressão do cenário econômico.
Em 2025, o país registrou um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial, com 1.990 processos, o maior número da história. Além disso, 80 empresas buscaram recuperação extrajudicial, segundo dados do Obre (Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial).
A dívida de 248 companhias subiu de R$ 1,4 trilhão em 2020 para R$ 2,3 trilhões no ano passado, conforme informações do consultor Einar Rivero, CEO da Elos Ayta. A alta taxa de juros, com a Selic em níveis historicamente altos, tem sido um fator determinante para a crise de caixa das empresas.
O cenário econômico adverso, incluindo conflitos no Oriente Médio e na Europa, também contribui para a pressão sobre as finanças das empresas. A Raízen, por exemplo, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial no início de março de 2026, buscando uma solução para R$ 65 bilhões em dívidas, o maior caso do tipo no Brasil.
““É um instrumento mais rápido, menos custoso. Já a recuperação judicial costuma ser acionada quando essa janela de negociação se fecha”, disse Alexandre Temerloglou, especialista em recuperação judicial e CEO da Siegen.”
Na semana passada, o Banco Central anunciou uma redução da taxa básica de juros, que passou de 15% para 14,75%. Apesar do corte, a taxa permanece alta em comparação com os últimos 20 anos. A crise de caixa das empresas começou a se agravar em 2020, quando a taxa de juros caiu para 2% devido à pandemia.
Rodrigo Gallegos, sócio da consultora RGF, destacou que muitas empresas contraíram dívidas durante a pandemia, tanto para se manter quanto para crescer. A carga tributária também tem impactado as finanças, subindo de 29,2% do PIB em 2020 para 32,3% em 2024, com recorde de arrecadação de R$ 325,7 bilhões em janeiro de 2026.
O varejo é o setor mais afetado pela alta taxa de juros, que encarece o financiamento do capital de giro e reduz o poder de compra do consumidor. O agronegócio também enfrenta desafios, com um aumento de 56,4% nos pedidos de recuperação judicial em relação a 2024.
““Mesmo com a estabilização da taxa básica, os pedidos continuam avançando porque as empresas ainda estão absorvendo os efeitos do aperto monetário passado”, afirmou Alexandre Temerloglou.”
A expectativa é que a queda dos juros seja fundamental para reverter o ciclo de crescimento das recuperações judiciais, embora os efeitos não sejam imediatos.

