Agentes do ICE, a polícia de imigração americana, começaram a ser enviados para aeroportos nos Estados Unidos nesta semana. A medida visa reduzir filas longas em meio à greve de servidores da Administração de Segurança de Transporte (TSA), que estão sem receber salários devido à paralisação parcial do governo americano.
No entanto, a iniciativa não obteve os resultados esperados. Dados divulgados pelo jornal The Washington Post nesta quinta-feira, 26, mostram que no George Bush Intercontinental Airport, onde muitos agentes da TSA deixaram de comparecer por falta de pagamento, passageiros ainda enfrentavam esperas de quatro horas ou mais na quarta-feira, 25.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reconheceu que os tempos de espera não diminuíram “tanto quanto gostaríamos”. Ela não comentou se o envio de agentes imigratórios afetou operações de deportação. A medida também não resolveu o impasse político sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), que mantém os salários da TSA suspensos.
O envio do ICE para aeroportos foi anunciado no sábado, 21, pelo presidente Donald Trump, que afirmou que os policiais fariam “segurança como ninguém jamais viu antes”. Trump disse que a ideia partiu dele, contradizendo informações que atribuíram a proposta a uma ouvinte de um programa de rádio conservador, sugerida dias antes.
Segundo a emissora americana CNN, os agentes foram vistos em mais de 10 aeroportos ao redor do país, incluindo Nova York, Nova Orleans, Atlanta e Chicago. A iniciativa é liderada pelo czar da fronteira do governo Trump, Tom Homan. Na prática, os policiais de imigração têm atuado em funções básicas, como organização de filas e checagem de documentos, enquanto o manuseio de equipamentos de segurança continua restrito a agentes treinados da TSA.
Mais de 400 agentes da TSA deixaram seus empregos desde o início da paralisação do governo, reflexo do impasse no Congresso sobre a legislação orçamentária, de acordo com a emissora americana NBC News. Outros servidores têm alegado doenças. O “shutdown” afeta diretamente o DHS, que está sem financiamento desde meados de fevereiro, impactando a TSA.
A ideia de enviar policiais de imigração, envolvidos em mortes de civis americanos em protestos anti-imigração, foi condenada por democratas. O líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que “a última coisa que o povo americano precisa é de agentes do ICE sem treinamento sendo destacados para aeroportos em todo o país, potencialmente para brutalizá-los ou, em alguns casos, matá-los”. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, também criticou, afirmando que os oficiais da agência “não entendem de segurança aeroportuária”.
A decisão foi criticada por Everett Kelley, presidente da Federação Americana de Funcionários Públicos, que representa mais de 50 mil trabalhadores da TSA. “Nossos membros da TSA têm comparecido todos os dias, sem receber salário, porque acreditam na missão de manter a segurança dos passageiros que viajam de avião”, reiterou Kelley. “Eles merecem ser pagos, e não substituídos por agentes armados e sem treinamento, que já demonstraram o quão perigosos podem ser.”


