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Especialista explica comportamento de abelhas africanizadas após morte de idosa em Botucatu

Amanda Rocha
Última atualização: 25 de março de 2026 07:19
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Uma idosa de 76 anos foi morta após ser atacada por abelhas da espécie Apis mellifera, conhecidas como africanizadas, em Botucatu, São Paulo, na segunda-feira (23). O ataque ocorreu dentro da residência da vítima, localizada no bairro Green Valley.

A idosa, identificada como Márcia Maria Bertani Favarin, foi atacada por um enxame de abelhas. O marido dela, de 70 anos, e o filho do casal, de 38, também foram atacados, mas conseguiram ser socorridos e encaminhados ao Hospital das Clínicas de Botucatu, onde receberam atendimento e tiveram alta na manhã de terça-feira (24).

O professor Rui Seabra, coordenador do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp de Botucatu, explicou que as abelhas africanizadas não atacam humanos de forma instintiva, mas reagem com agressividade quando se sentem ameaçadas. Ele ressaltou que, embora sejam chamadas de ‘abelhas assassinas’, elas são, na verdade, defensivas e protegem sua colmeia, rainha e alimento.

“”As abelhas africanizadas, muitas vezes chamadas erroneamente de ‘abelhas assassinas’, são, na verdade, defensivas. Elas protegem sua colmeia, sua rainha e seu alimento, que é o mel. Por isso, em ataques em grande número, acabam sendo confundidas com ‘abelhas assassinas'”, afirmou Rui Seabra.”

O especialista alertou que, ao contrário de outras abelhas, as africanizadas podem perseguir uma ameaça por longas distâncias e atacar em grandes números. Embora o veneno tenha toxicidade semelhante ao de outras abelhas melíferas, a quantidade de veneno inoculada por várias picadas simultâneas pode causar envenenamento grave e até morte, mesmo em pessoas não alérgicas.

Rui Seabra orientou que, ao identificar uma colmeia, as pessoas não devem tentar removê-la sozinhas. “O recomendado é se afastar, não provocar as abelhas e acionar um especialista, a Vigilância Sanitária, o Corpo de Bombeiros ou um apicultor para fazer a remoção com segurança. Se o enxame estiver apenas passando, o mais indicado é deitar no chão e aguardar até que ele vá embora”, explicou.

O boletim de ocorrência registrou que o ataque ocorreu dentro da casa de Márcia Maria. Um vizinho ouviu gritos e tentou ajudar, mas quando as equipes de emergência chegaram, a idosa já estava morta. A Vigilância Ambiental em Saúde foi acionada e constatou a presença de um enxame de abelhas africanizadas no local. O caso foi registrado como morte acidental no 1º Distrito Policial de Botucatu.

O Cevap está desenvolvendo um soro específico contra picadas de abelhas há mais de 20 anos, em parceria com o Instituto Butantan e o Instituto Vital Brazil. O projeto, que já passou pelos ensaios clínicos de fase 2, avançou para a fase 3 com apoio do Ministério da Saúde. Botucatu deve ser uma das cidades que receberá o tratamento durante os testes.

“”Aprovamos o estudo clínico de fase 3 no final de 2025 e estamos nas etapas preparatórias, incluindo a definição das cidades que receberão o soro no Brasil. Entre 15 e 20 municípios. Botucatu deve ser uma delas”, finalizou Rui Seabra.”

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