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Estudo revela que natação é mais eficaz que corrida para saúde do coração

Amanda Rocha
Última atualização: 23 de março de 2026 15:15
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Um estudo realizado por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) demonstrou que a natação é mais eficaz do que a corrida na indução de um crescimento saudável do coração e na melhora da força de contração do músculo cardíaco.

“Natação e corrida são duas excelentes maneiras de melhorar a saúde cardiorrespiratória e de proteger o músculo cardíaco, mas queríamos saber se uma delas poderia ser ainda mais benéfica que a outra. Descobrimos que, embora ambas aumentem a capacidade respiratória, a natação vai além, combinando adaptações funcionais e moleculares que tornam o coração mais forte e eficiente”, afirmou Andrey Jorge Serra, professor da Unifesp e coordenador do estudo apoiado pela Fapesp.

O trabalho, publicado na revista Scientific Reports, mostra que a melhora ocorre porque a natação promove maior modulação dos microRNAs que controlam diferentes adaptações no coração, como o crescimento das células cardíacas, a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese), a proteção contra a morte celular e a regulação da contratilidade e das respostas ao estresse oxidativo.

Os microRNAs são moléculas que regulam a expressão dos RNAs mensageiros, responsáveis pela síntese de proteínas. “Embora diversos estudos já tivessem examinado a expressão de microRNAs regulados pelo treinamento aeróbico em geral, pouco se sabia sobre os padrões de expressão quando natação e corrida eram comparadas no mesmo ambiente experimental. Portanto, esse estudo traz a novidade de que existe uma distinção nos efeitos cardiovasculares entre essas duas modalidades”, explicou Serra.

No estudo, os ratos foram submetidos a um protocolo de oito semanas de treinamento, com sessões diárias de 60 minutos, cinco vezes por semana. Eles foram divididos em três grupos: os que não treinaram, os que realizaram apenas o treinamento de corrida e os que fizeram só o de natação.

A comparação entre os treinos não foi feita pela velocidade atingida, mas pela intensidade relativa do esforço, medida pelo consumo máximo de oxigênio (VO2 máximo). Os resultados mostraram que corrida e natação melhoraram a aptidão física de forma semelhante, com um ganho de mais de 5% do VO2 máximo. No entanto, apenas a natação promoveu mudanças estruturais significativas no coração, como aumento da massa cardíaca e do ventrículo esquerdo, enquanto a corrida não apresentou diferenças relevantes em relação aos animais sedentários.

“A escolha da modalidade pelas pessoas depende muito de gosto, aptidão e prazer individual. Mas nossos resultados mostram que a natação pode ter impacto especial em situações de recuperação do miocárdio, reabilitação cardíaca e, sobretudo, em pesquisas científicas. Isso também é relevante porque estudos sobre exercícios aeróbicos costumam usar corrida e natação de forma indiscriminada e agora sabemos que os efeitos não são iguais”, completou Serra.

Antes e depois do período de treinamento, os pesquisadores aplicaram uma bateria de testes para investigar diferentes dimensões da saúde cardíaca, como capacidade e condicionamento cardiorrespiratório, estrutura e função do coração e do miocárdio. O estudo também analisou as vias de expressão gênica e de proteínas envolvidas na hipertrofia cardíaca fisiológica e os mecanismos envolvidos para a identificação dos microRNAs reguladores.

“Embora não se saiba ainda por que ocorre essa mudança no nível molecular, do microRNA, conseguimos aprofundar muito e investigar as vias moleculares que controlam a hipertrofia fisiológica”, finalizou o pesquisador.

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