O governo dos Estados Unidos está avaliando a possibilidade de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times.
De acordo com a publicação, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) trabalharam por meses para convencer autoridades americanas de que esses grupos representam uma ameaça à segurança e aos interesses dos EUA.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou a Washington no ano passado, acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro, para se reunir com membros da Casa Branca e do Departamento de Estado. Durante a visita, Flávio, que presidia uma comissão de segurança no Senado, apresentou um relatório sobre a atuação das facções no Brasil e no exterior.
Esse relatório, segundo uma fonte citada pelo jornal, incluía informações sobre tráfico de armas e lavagem de dinheiro. O governo brasileiro teme que a classificação como organizações terroristas permita aos Estados Unidos impor sanções a instituições financeiras que, mesmo indiretamente, tenham se relacionado com as facções.
A medida segue uma linha já adotada pelo governo Donald Trump, que classificou outras organizações criminosas latino-americanas como terroristas em sua política de segurança. Essa designação pode ampliar o alcance de ações americanas, incluindo sanções econômicas e operações contra redes ligadas ao crime organizado.
Especialistas do jornal apontam que o PCC e o CV não têm um papel relevante no tráfico de drogas para os Estados Unidos, concentrando suas operações principalmente na Europa e em outros mercados internacionais.
No Brasil, a classificação de facções como terroristas enfrenta resistência. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende que os grupos atuam com foco em lucro, e não por motivação ideológica, que é um critério central para a caracterização de terrorismo na legislação brasileira.
O tema também tem implicações políticas. Parlamentares de direita, incluindo o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), já tentaram avançar com propostas para enquadrar facções como organizações terroristas no país, enquanto o governo vê risco de violação da soberania nacional.

