Noelia Castillo, de 25 anos, teve sua vida encerrada hoje. Ela enfrentou dor emocional intensa, com tratamento psiquiátrico desde os 13 anos, e sofreu dois estupros, um por um ex-namorado e outro por três jovens. Uma tentativa de suicídio a deixou paraplégica após pular de uma janela do quinto andar, diante de seu pai, que perdeu a batalha legal para preservar a vida da filha.
A situação de Noelia levanta questões complexas sobre a eutanásia e a saúde mental. A eutanásia é legal na Holanda desde 2002, e o médico Menno Oosterhoff, que realizou o primeiro caso de eutanásia em uma jovem de 18 anos diagnosticada com transtornos mentais, afirmou que a paciente era ‘mentalmente terminal’.
Esse caso gera reflexões sobre a responsabilidade dos médicos em tratar doenças mentais em vez de optar pela morte assistida. A legalização da eutanásia em países como a Holanda e o Canadá, onde mais de 76 mil casos foram registrados desde 2016, levanta preocupações sobre a aceitação do suicídio assistido como solução para o sofrimento.
Dados da revista The Atlantic indicam que, em 2024, 9.958 casos de eutanásia foram registrados na Holanda, com 86% relacionados a doenças físicas. Entre 2020 e 2024, 675 casos foram motivados por questões psiquiátricas.
A discussão sobre a eutanásia e o sofrimento psíquico é polarizadora. Para alguns, é uma vitória civilizacional, enquanto outros veem como um fracasso da sociedade e das profissões médicas. Noelia escolheu morrer sozinha em uma casa de repouso, vestindo um vestido bonito e cercada por fotos de momentos felizes de sua infância.


