O ex-chefe de contraterrorismo do governo Trump, Joe Kent, acusou defensores da guerra nos EUA e em Israel de terem convencido o presidente Donald Trump a atacar o Irã, apesar da falta de evidências concretas sobre uma ameaça iminente. A declaração foi feita durante sua participação no programa de rádio The Megyn Kelly Show nesta sexta-feira, 20 de março de 2026.
Kent afirmou que líderes israelenses e aliados dos EUA, como o senador Lindsey Graham, criaram uma “câmara de eco” em torno de Trump, pressionando-o por meses a lançar uma campanha militar e silenciando vozes céticas. “Eu vi a bolha sendo criada em torno do presidente Trump”, disse Kent, que renunciou ao cargo no início da semana devido a suas dúvidas sobre a guerra.
O ex-chefe de contraterrorismo destacou que o presidente estava isolado e, por isso, só ouvia essa câmara de eco. Ele contrastou o período que antecedeu o ataque ao Irã com os preparativos para o bombardeio das instalações nucleares do país, realizado por Trump no ano anterior, que ocorreu após intensos debates dentro do governo sobre os méritos do ataque.
Kent alegou que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e seus assessores, com a ajuda de aliados pró-guerra de Trump, pressionaram o presidente a agir antes que o governo tivesse analisado todas as possíveis repercussões. “Qualquer que tenha sido o argumento usado, o efeito foi que o presidente Trump foi levado a acreditar que, se agisse agora, tudo seria rápido e fácil”, afirmou.
Em resposta, o porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, classificou a carta de demissão de Kent como “repleta de mentiras” e defendeu a decisão de Trump de atacar o Irã. “O mais grave foram as falsas alegações de Kent de que o maior patrocinador estatal do terrorismo não representava uma ameaça aos Estados Unidos e que Israel forçou o presidente a lançar a Operação Epic Fury”, disse Ingle.

