Ex-funcionários de uma empresa de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, estão sendo investigados por espionagem industrial. A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) apura se eles repassaram informações sigilosas para uma concorrente em Santa Catarina.
Ambas as empresas atuam no setor químico. A empresa paranaense desenvolve tecnologias voltadas principalmente para as indústrias de papel, celulose e têxtil. O portfólio da companhia inclui fórmulas, processos industriais, cadeias de fornecedores e métodos de aplicação que são considerados informações confidenciais e protegidas como segredo industrial.
A investigação aponta que a empresa catarinense pode ter contratado funcionários da indústria paranaense para obter a fórmula de um produto desenvolvido e patenteado, o que impediria sua cópia ou produção por terceiros. O delegado Fábio Machado afirmou:
“‘Tanto profissionais químicos, quanto técnicos e representantes comerciais foram cotados. A intenção da empresa noticiada, ao que parece, seria não apenas levar os segredos, mas também os clientes dessa empresa vítima.'”
A Polícia Civil também investiga se a migração de profissionais com acesso a dados estratégicos possibilitou a reprodução de tecnologias e produtos semelhantes no mercado, configurando uma possível concorrência desleal.
A própria empresa do Paraná identificou indícios de uso indevido da tecnologia após uma apuração interna. Após essa identificação, comunicou às autoridades competentes, que realizaram uma operação na quarta-feira, dia 18. Durante a ação, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão contra quatro pessoas em São José dos Pinhais e em Guarapuava, além de diligências em Itapema, Brusque e Pomerode, em Santa Catarina, onde está localizada a sede da empresa investigada.
A polícia apreendeu documentos, computadores, celulares, dinheiro e amostras de produtos. A Polícia Científica deverá analisar as amostras para verificar se o produto encontrado em Santa Catarina é semelhante ao produzido no Paraná.
O Grupo SB, empresa considerada vítima, informou que identificou indícios de uso indevido de tecnologia proprietária desenvolvida ao longo de anos de pesquisa. A companhia declarou que comunicou o caso às autoridades e está colaborando com informações para o esclarecimento dos fatos, além de confiar no trabalho das instituições responsáveis e acompanhar o andamento da investigação.
A empresa investigada, Ekonova, afirmou que está preparando um posicionamento oficial em conjunto com sua equipe jurídica e de imprensa.

