Uma executiva da rede de supermercados Carrefour, Luciene Petroni Castro Neves, foi alvo da Operação Fisco Paralelo, realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta quinta-feira, 26 de março de 2026. A operação investiga um esquema bilionário de fraude no ICMS que envolve servidores da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).
Luciene era responsável pela gestão fiscal, planejamento tributário e compliance da empresa. Ela é suspeita de receber tratamento privilegiado e pagar propina a servidores. Mensagens de WhatsApp obtidas pela investigação mostram que a executiva manteve contato com o auditor fiscal Artur Gomes da Silva, preso há sete meses e considerado o líder do esquema, entre julho de 2021 e agosto de 2025. O auditor auxiliava Luciene nos pedidos de ressarcimento de ICMS-ST (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – Substituição Tributária) do Carrefour.
A investigação aponta que o tratamento privilegiado para a rede de supermercados era evidente. A defesa de Luciene não foi localizada até a última atualização da reportagem. O Grupo Carrefour Brasil declarou que determinou a abertura de uma investigação interna e está à disposição do MP e da autoridade policial para apuração dos fatos.
““O Grupo Carrefour Brasil não tolera condutas contrárias aos seus valores, mantém políticas robustas de compliance e segue estritamente as leis vigentes”, afirmou a empresa.”
A operação cumpriu 22 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva em várias cidades, incluindo São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. Entre os alvos estão um condomínio de luxo em Tamboré e endereços no bairro de Moema, na capital paulista. O agente fiscal Fernando Alves dos Santos foi preso preventivamente e é considerado central no esquema, recebendo propina de empresas interessadas.
Durante a operação, foram apreendidos mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro e relógios de luxo. As buscas foram realizadas em endereços vinculados a servidores de cinco diferentes órgãos da Secretaria da Fazenda, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A Sefaz-SP afirmou que colabora com as investigações e que atualmente há 33 procedimentos administrativos em andamento para apurar possíveis irregularidades envolvendo servidores.
A Operação Fisco Paralelo é um desdobramento da Operação Ícaro, que investigou desvios de créditos envolvendo o caso Ultrafarma/Fast Shop em agosto de 2025. A nova fase teve início após o MP obter novas informações sobre irregularidades na Secretaria da Fazenda. O MP identificou que a contadora Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, já presa, tinha um papel central na organização criminosa.
Os promotores afirmam que o esquema é maior do que o inicialmente estimado na Operação Ícaro, que falava em desvios na casa de R$ 1 bilhão. Os crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva.

