Nesta sexta-feira (27), o Mercado do Ver-o-Peso, em Belém, completa 399 anos. Feirantes se reuniram para uma festa simbólica, apesar da ausência de programação oficial da prefeitura. Eles prepararam um bolo de aniversário e cantaram parabéns no Mercado de Carne, em uma homenagem simples organizada pelo Instituto Ver-o-Peso.
O presidente do instituto, Manoel Rendeiro, conhecido como ‘Didi’, destacou que a celebração reforça a união dos trabalhadores que mantêm viva a tradição do local. O complexo, que foi revitalizado em 90%, continua sendo o coração cultural e econômico de Belém.
Didi explicou que a data de fundação foi identificada há 25 anos com a ajuda de uma historiadora. O instituto existe desde então para preservar a memória do mercado, e os feirantes comemoram o aniversário do local. Uma programação oficial havia sido anunciada pela prefeitura na véspera do aniversário, mas o evento foi cancelado.
O principal pleito dos feirantes neste aniversário é o reconhecimento das atividades centenárias como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan, além da estrutura já tombada. Atividades como a venda de açaí, pescado, hortifrúti, refeições, castanha e frutos regionais existem há mais de 400 anos e precisam ser valorizadas, segundo Didi, que planeja pressionar o governo estadual e a prefeitura.
“‘Não adianta só a estrutura ser patrimônio sem os trabalhadores que fazem ele funcionar’, afirmou Didi.”
O Ver-o-Peso é um cartão-postal de Belém, reunindo tradição, sabores e histórias na capital paraense. Inaugurado em 1625, o local começou como um posto de aferição de mercadorias e arrecadação de impostos, evoluindo para o grande mercado aberto que é hoje.
No século XVIII, Belém se firmou como o maior entreposto comercial da região amazônica, centralizando o fluxo de produtos da floresta. O intenso movimento comercial originou o Ver-o-Peso, tombado pelo Iphan em 1977 como conjunto arquitetônico e paisagístico.
O complexo passou por adaptações ao longo dos séculos, especialmente na Belle Époque, com reformas que incluíram a construção do Mercado de Ferro e do Mercado Francisco Bolonha, ambos inaugurados em 1901. O Mercado de Ferro destaca-se pela estrutura de ferro importada da Europa e se consolidou como a maior feira livre da América Latina.
O complexo se estende por 25 mil m², abrangendo o Boulevard Castilhos França, Mercados de Carne e Peixe, casario, praças do Relógio e Dom Pedro II, doca de embarcações, Feira do Açaí e Ladeira do Castelo. Além do comércio, é um polo de vida social e intercâmbio cultural.


