A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Mattos, foi assassinada pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, na madrugada de 23 de março de 2026. O crime ocorreu em sua residência, no bairro Santo Antônio, onde Dayse foi morta com cinco tiros na cabeça.
Segundo informações, Diego invadiu a casa utilizando uma escada e, após cometer o crime, tirou a própria vida na cozinha. A delegada Raffaella Almeida Aguiar, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), afirmou que o caso destaca que a violência de gênero não escolhe vítimas, independentemente de sua posição social ou autoridade.
“O caso foi tão emblemático porque mostra que não é sobre quem é a vítima, porque a Dayse era uma mulher forte, uma autoridade. A violência de gênero é sobre quem é o homem”, declarou a delegada.
As investigações indicam que Dayse tentava terminar o relacionamento com Diego, que era considerado possessivo e controlador. O Espírito Santo registrou 35 feminicídios em 2025 e, em 2026, já são cinco vítimas, sendo o caso de Dayse o primeiro em Vitória após mais de 650 dias sem registros desse tipo de crime na capital.
A secretária estadual das Mulheres, Jacqueline Moraes, comentou sobre a falsa sensação de proteção que pode estar associada a posições de poder. “É um lugar de impotência. Não adianta a gente falar da autodefesa da mulher. A Dayse estava no comando, tinha uma arma, mas a covardia do seu algoz é de um limite”, disse.
A delegada Raffaella também ressaltou que a sociedade deve compreender que a violência de gênero está ligada a um sentimento de posse. “É sobre a mulher não querer mais aquele relacionamento e sobre ele falar: ‘Você é minha, e agora você vai pagar até mesmo com a sua vida’”, afirmou.
O pai de Dayse, Carlos Roberto Teixeira, confirmou que a filha queria terminar com Diego e relatou episódios de violência. “Já tirei ele de cima dela. Uma vez, flagrei ele tentando enforcar a Dayse”, contou.
A comandante, de 37 anos, era pedagoga e deixou uma filha de 8 anos. Ela ingressou na Guarda Municipal em 2013 e se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de comandante em janeiro de 2023. O caso evidencia a dificuldade que mulheres, mesmo aquelas que atuam no enfrentamento à violência, têm em buscar ajuda.

