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FGV aponta incertezas no comércio que podem afetar Brasil e EUA

Amanda Rocha
Última atualização: 13 de março de 2026 13:23
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O primeiro bimestre de 2026 termina com aumento de incertezas para o comércio exterior, impactado pelas decisões do governo dos Estados Unidos e pela escalada de tensões no Oriente Médio. Essa situação pode repercutir nas negociações entre Brasil e Estados Unidos, conforme avaliação do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

A FGV afirma que o cenário para as negociações entre os dois países, previstas para março, poderia beneficiar o Brasil. Um dos cenários considera tarifas de 50% sobre cerca de 22% da pauta de exportações, enquanto outro prevê tarifas de 15%.

No âmbito comercial, a Suprema Corte americana derrubou a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que justificava o aumento de tarifas anunciado em 20 de fevereiro. Essa decisão poderia isentar o Brasil de tarifas que ainda estão em vigor, que podem chegar a 50%. Entretanto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acionou a Seção 122 do Código de Comércio, autorizando tarifas de até 15% por 150 dias, alterando assim o ponto de partida das negociações entre os dois países.

Em relação ao cenário geopolítico, o ataque dos Estados Unidos, em conjunto com Israel, ao Irã aumentou a imprevisibilidade global. A duração e a extensão desse conflito podem impactar o mercado, especialmente através da alta do petróleo, que encarece o transporte e a logística, além de gerar pressões inflacionárias. Isso pode adiar cortes de juros e reduzir o ritmo do comércio mundial.

Para o Brasil, o aumento no preço do petróleo pode trazer ganhos, mas o país também importa óleo diesel, que tende a ficar mais caro. Em 2025, o Oriente Médio representou 4,6% das exportações brasileiras e 2,6% das importações, incluindo insumos de fertilizantes como ureia, com 14,8% provenientes de Omã, o que expõe a balança comercial a choques.

Apesar do ambiente externo desafiador, a balança comercial brasileira melhorou no bimestre, com um saldo de US$ 8,0 bilhões, em comparação a US$ 1,9 bilhão em 2025. Em fevereiro, as exportações aumentaram 15,6%, enquanto as importações caíram 4,8%, impulsionadas pela China e pelo crescimento das importações de automóveis, que se concentraram principalmente nesse país, em um cenário de volatilidade cambial.

As importações de automóveis de passageiros da China cresceram 68,4% entre os dois primeiros bimestres do ano, segundo a FGV. A taxa de câmbio efetiva real teve uma leve valorização de 2,9% entre os dois primeiros bimestres de 2025 e 2026.

““As turbulências da política de Trump levaram a um aumento na entrada de capital em mercados emergentes, em especial com taxas de juros elevadas. O conflito no Oriente Médio levou a uma desvalorização no início de março, que depois recuou. A volatilidade cambial deverá ser a marca nesses tempos de conflitos, quando predominam as incertezas quanto aos rumos desse quadro”, concluiu a FGV.”

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