A primeira embarcação de uma flotilha de ajuda humanitária chegou a Havana, Cuba, nesta terça-feira, 24 de março de 2026, com três dias de atraso. O navio transporta medicamentos, alimentos e painéis solares para apoiar a população local em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos.
A ilha depende fortemente do petróleo da Venezuela e enfrenta bloqueios energéticos desde a queda do ditador Nicolás Maduro, capturado pelas forças dos EUA em janeiro. Além disso, Cuba está sob embargos americanos há mais de 60 anos.
Ao se aproximar do cais, o grupo exibiu cartazes com os dizeres “Deixe Cuba viver”. Espera-se que mais dois barcos cheguem a Havana nesta semana. Segundo ativistas, a flotilha visa ser um amparo para os cubanos durante a crise energética.
David Adler, à frente da iniciativa, afirmou à agência de notícias AFP que a ajuda humanitária chegou à população e advertiu sobre “o custo humano do cerco de Trump à Cuba”, acrescentando: “A solidariedade internacional pode triunfar sobre o isolamento forçado”.
Parte da missão “Comboio Nossa América”, os primeiros carregamentos de avião da Europa e dos EUA aterrissaram na ilha na semana passada. A iniciativa planeja entregar 50 toneladas de ajuda a Cuba.
O navio “Maguro”, que chegou a Havana nesta terça, partiu do México com 32 pessoas a bordo, oriundas de países como Brasil, Austrália, Equador, Itália, México e Estados Unidos. O ativista Thiago Ávila, que participou da flotilha Global Sumud, interceptada ao tentar levar ajuda humanitária a Gaza, também esteve presente na iniciativa.
Após a prisão de Maduro, Trump intensificou as ameaças a Cuba, afirmando que seria uma “honra” tomar o país. Segundo informações de autoridades, membros do governo Trump teriam solicitado a Havana a destituição do presidente Miguel Díaz-Canel, sem a intenção de derrubar totalmente o regime comunista na ilha, semelhante ao que ocorreu na Venezuela pós-Maduro.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que esse seja o plano. No início deste mês, Havana e Washington abriram diálogo com representantes dos Estados Unidos para “identificar os problemas bilaterais que precisam de solução”, conforme informou Díaz-Canel. Enquanto isso, as Nações Unidas estão negociando com a administração Trump para permitir a entrada de combustível em Cuba para “fins humanitários”.

