As amostras de vírus que foram furtadas do laboratório de virologia da Unicamp estavam armazenadas em uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), o que exige protocolos rigorosos. Essa informação foi revelada no Termo de Audiência que concedeu liberdade provisória à professora doutora Soledad Palameta Miller, suspeita pelo desaparecimento do material biológico.
A professora responderá por expor a perigo a vida e saúde de outras pessoas, por transporte irregular de organismo geneticamente modificado e por fraude processual, conforme decisão da Justiça Federal. A classe de risco 3 é caracterizada por agentes infecciosos que apresentam alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade.
O furto ocorreu em um laboratório que estuda agentes infecciosos, como o Bacillus anthracis e o vírus da imunodeficiência humana (HIV). A Polícia Federal prendeu Soledad em flagrante no dia 23 de março, após encontrar as amostras em laboratórios da universidade. A decisão judicial menciona que o material furtado é tratado como vírus.
Após a prisão, a professora foi liberada, mas deverá cumprir regras estabelecidas pela Justiça, como comparecer mensalmente à 9ª Vara Federal e pagar uma fiança de dois salários-mínimos. Ela está proibida de deixar Campinas por mais de cinco dias e de acessar os laboratórios envolvidos na investigação.
A Unicamp instaurou uma sindicância interna para apurar o caso. A investigação começou quando uma pesquisadora notou o desaparecimento de caixas com amostras virais no dia 13 de fevereiro de 2026. As amostras pertenciam ao Laboratório de Virologia Animal e foram encontradas em três locais diferentes, incluindo a Faculdade de Engenharia de Alimentos e o Laboratório de Doenças Tropicais.
A movimentação e o armazenamento do material biológico foram feitos em ambientes não controlados, o que configurou risco à saúde de terceiros. A reitoria da Unicamp acionou a Polícia Federal e a Anvisa para conduzir as investigações e procedimentos periciais necessários.
A Unicamp informou que as aulas na graduação e nos laboratórios de ensino foram mantidas, apesar da interdição temporária dos laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos.

