O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se manifestou nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, sobre o vazamento de conversas privadas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mendes afirmou que essa exposição é uma “gravíssima violação ao direito à intimidade” e uma “barbárie institucional” que ultrapassa os limites da lei e da Constituição.
A declaração foi feita em suas redes sociais, acompanhada de uma matéria que noticiava a intenção da ex-namorada de Vorcaro, a empresária Martha Graeff, de processar judicialmente a divulgação de suas mensagens. Gilmar destacou que, na semana do Dia Internacional da Mulher, a divulgação desses diálogos é ainda mais grave, ressaltando a urgência de refletir sobre a intimidade feminina, que historicamente é alvo de tentativas de desmoralização e controle.
O ministro também criticou o Estado e seus agentes por falharem em seu “dever de guarda”, desrespeitando a legislação que exige a inutilização de trechos de perícias que não são relevantes para a investigação. Ele enfatizou a “necessidade inadiável” de aprovar uma Lei Geral de Proteção de Dados Penal, para que o tratamento de informações na esfera criminal não se torne uma ferramenta de opressão.
““Ao transformar o que deveria ser uma investigação técnica em um espetáculo e em um verdadeiro ato de linchamento moral, o sistema incorre em nítida afronta à dignidade humana e aos direitos fundamentais”, disse o ministro.”
Martha Graeff, por sua vez, declarou estar “consternada” com a “grave violência” que vem sofrendo, considerando a “exposição manifestamente ilegal e impressionantemente inútil” de suas mensagens íntimas com Vorcaro. As mensagens foram extraídas dos celulares apreendidos de Vorcaro e incluídas no rol de provas entregues à CPMI do INSS e ao STF.


