O governo federal propôs um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel importado como alternativa ao impasse com os estados sobre a redução do ICMS. A proposta surge em meio à alta dos combustíveis, influenciada pela escalada da guerra no Oriente Médio.
A ideia inicial era zerar o ICMS sob o diesel importado, mas os governadores não apoiaram essa decisão, pois isso diminuiria a arrecadação de cada estado. O plano alternativo prevê que R$ 0,60 será pago pelo governo federal e a outra metade pelos estados.
A Equipe de Inflação e Commodities da BGC Liquidez avaliou que a efetividade das medidas do governo para conter a alta do preço do diesel deve ser limitada, especialmente as relacionadas a subsídios. “Vemos efeitos limitados (em conter a alta no preço do diesel) em relação ao subsídio no preço do diesel”, afirmaram.
Segundo o governo federal, a medida será emergencial e temporária, com validade até o dia 31 de maio. O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou em coletiva de imprensa que o impacto fiscal estimado seria de R$ 3 bilhões, cerca de R$ 1,5 bilhão por mês.
Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, considera que o cenário ainda é desafiador no curto prazo. “O melhor cenário, neste momento, seria uma resolução rápida do conflito, permitindo a queda do preço do petróleo e aliviando as pressões sobre os combustíveis”, afirmou.
Gustavo Moreira, planejador financeiro e sócio da InvestSmart, não considera a medida ideal, mas a única possível no cenário atual. “A medida ajuda a segurar o preço no curto prazo, principalmente diante de fatores externos como a alta do petróleo, mas não ataca o problema estrutural do Brasil, que é a dependência de importação de diesel e a forte influência de impostos e logística no preço”, explicou.
O governo acredita que a alta do diesel está ligada ao aumento do preço do petróleo e aos desdobramentos da guerra entre o Irã e os Estados Unidos, além do fechamento do Estreito de Ormuz. Fernando Benavenuto, planejador financeiro e sócio da Anvex Capital, acredita que o aumento do diesel precisa ser repassado para que o consumo se ajuste à realidade do mercado mundial. “Quando o governo subsidia, ele está apenas escolhendo como o brasileiro vai pagar a conta. Ou será no preço do diesel, ou será através de mais impostos e juros mais altos para o resto da vida”, disse.


