O governo da Suécia apresentou nesta terça-feira, 24 de março de 2026, um projeto de lei que exige que os imigrantes tenham uma ‘vida honesta’, sob risco de deportação. Entre os critérios para aferir a integridade, estão o pagamento de dívidas e o uso responsável do sistema de bem-estar social do país.
A proposta ainda será submetida à votação no Parlamento, o Riksdag. Se aprovada, a lei entrará em vigor em 13 de julho. ‘O respeito às leis e regulamentos é óbvio, mas também é fundamental fazer todo o possível para viver de forma responsável e não prejudicar o nosso país’, declarou o ministro da Migração, Johan Forssell, a repórteres.
“‘Se, por exemplo, você não pagar suas dívidas, se não cumprir as decisões das autoridades suecas, se abusar do sistema de bem-estar social, se obtiver uma autorização de residência sueca de forma fraudulenta… então você não tem o direito de estar aqui.'”
O governo do primeiro-ministro conservador Ulf Kristersson, parte de uma coalizão minoritária apoiada pela extrema direita, também deseja revogar a residência de imigrantes que sejam considerados uma ameaça ou que tenham mentido no processo de solicitação.
Em meio à movimentação, a ONG de direitos humanos Civil Rights Defenders advertiu em nota enviada à agência de notícias francesa AFP que a medida pode ‘ter um efeito dissuasório sobre a liberdade de expressão e levar a uma maior autocensura’, além de ser pouco clara sobre o que pode ser interpretado, ou não, como ‘vida honesta’.
Em 2025, os pedidos de asilo caíram 30% em comparação ao ano anterior, informou Forssell em janeiro. Trata-se do nível mais baixo desde 1985. Ele atribuiu o aumento da criminalidade de gangues a décadas de leis de asilo flexíveis implementadas por líderes social-democratas.
O número de pessoas que retornaram voluntariamente aos seus países de origem aumentou para 60%. A partir de 2026, imigrantes que optarem por essa alternativa podem receber até 350 mil coroas suecas (cerca de R$ 197 mil na cotação atual).


