O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (23) a abertura de duas novas investigações contra a Universidade de Harvard. Essa ação representa a mais recente tentativa do governo de investigar instituições de ensino superior no país.
O Departamento de Educação dos EUA informou que as investigações foram iniciadas em resposta a alegações de que Harvard discrimina estudantes com base em raça, cor e origem nacional, o que violaria a lei federal. As apurações vão examinar se a universidade utiliza preferências raciais nas admissões, especialmente após a decisão da Suprema Corte dos EUA de 2023 que encerrou a ação afirmativa no ensino superior.
Além disso, as investigações também abordarão alegações de antissemitismo no campus de Harvard. A universidade não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, mas já havia se posicionado anteriormente contra todas as formas de discriminação e se comprometeu a combater o fanatismo.
Relatórios de forças-tarefa de Harvard, divulgados no ano passado, indicaram que estudantes judeus e muçulmanos enfrentaram intolerância e abusos dentro da instituição. Na sexta-feira (20), o governo Trump anunciou um novo processo bilionário contra Harvard, alegando que a universidade violou uma lei de direitos civis ao não proteger estudantes judeus e israelenses da discriminação.
O governo solicita que um juiz federal determine a devolução de milhões em verbas recebidas pela universidade e suspenda mais de US$ 2,6 bilhões (aproximadamente R$ 13,8 bilhões) em verbas já concedidas. Essa ação judicial é uma tentativa de aumentar a pressão sobre a universidade da Ivy League, especialmente após negociações que não resultaram em um acordo.
Após meses de negociações, que estavam se intensificando no início de fevereiro, o jornal americano The New York Times noticiou que a Casa Branca havia desistido de exigir pagamento financeiro da universidade. Contudo, Trump reafirmou suas exigências, buscando agora “um bilhão de dólares em indenização”. Um funcionário do governo afirmou que os negociadores estavam próximos de um acordo, mas que a comunicação havia cessado e que Harvard estava “protelando”.
Em resposta, Harvard declarou que “tomou medidas substanciais e proativas para abordar as causas profundas do antissemitismo e aplica ativamente regras e políticas contra assédio e discriminação no campus”. A universidade ainda afirmou que o processo representa “mais uma ação pretextual e retaliatória da administração por se recusar a entregar o controle de Harvard ao governo federal”.

