A guerra entre os Estados Unidos e o Irã, que começou no início de março de 2026, representa um desafio significativo para o presidente Donald Trump. Ele enfrenta uma crescente desaprovação popular e custos políticos cada vez maiores à medida que o conflito se prolonga.
Especialistas apontam falhas estratégicas na condução americana do confronto. William Waack, analista, destaca que Trump ignorou princípios básicos de estratégia militar com mais de 2.500 anos:
““Se um objetivo político é mal formulado, não há força militar capaz de realizar”.”
Segundo Waack, a falta de objetivos políticos claros compromete toda a operação militar americana, apesar de sua superioridade bélica.
A insatisfação pública nos Estados Unidos em relação à guerra é alta, conforme mostram pesquisas. Mariana Janjácomo, correspondente em Washington, afirma que os EUA entraram no conflito sem apoio de aliados e sem respaldo interno. Apenas uma parte da base de apoio de Trump sustenta o conflito, e esse apoio tem diminuído com a duração da guerra.
Uma pesquisa da Reuters/Ipsos revelou que Trump possui apenas 36% de aprovação, o menor índice de seu segundo mandato. O impacto econômico do conflito também é um fator decisivo para a opinião pública, com o aumento no preço dos combustíveis afetando diretamente os cidadãos americanos, que não compreendem os motivos para o envolvimento militar no Oriente Médio. Janjácomo explica:
““O americano começou a sentir no bolso as consequências disso. O americano que não entendeu por que os Estados Unidos mandaram soldados para lá”.”
A geografia do Irã representa um desafio significativo para as forças americanas. O terreno montanhoso favorece a guerra de guerrilha, e o controle do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da energia mundial, 33% dos fertilizantes e 9% do alumínio, confere ao Irã uma vantagem estratégica considerável.
O conflito também coloca em risco aliados importantes dos Estados Unidos na região, como os reinados árabes do Golfo, que mantêm relações comerciais significativas com a família Trump. A situação de Israel é particularmente delicada, com o país enfrentando ataques constantes de mísseis e drones, tanto do Irã quanto do Hezbollah.
Diante do fracasso em alcançar a mudança de regime inicialmente proposta e do crescente desgaste político, Trump alterou seu discurso e passou a falar em negociações, declarando vitória sem explicar claramente o que isso significa. A morte do líder supremo do Irã proporcionou um breve momento de apoio interno, mas não alterou fundamentalmente o cenário desfavorável para a administração americana.


