Seis homens foram presos por espancarem uma capivara na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, e foram enquadrados no Decreto Cão Orelha. Cada um deles terá que pagar uma multa de R$ 20 mil por maus-tratos a animais. Esta é a primeira aplicação das novas normas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que foram editadas há 15 dias pelo governo federal.
O decreto, que recebeu o nome de Cão Orelha em homenagem a um cãozinho de Florianópolis que morreu após ser agredido, altera os valores das multas, que antes variavam de R$ 300 a R$ 3 mil. Agora, as punições cíveis podem chegar a R$ 50 mil.
O ataque à capivara ocorreu na madrugada do dia 21 de março na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara, e foi registrado por câmeras de segurança. A Justiça do Rio manteve a prisão dos seis maiores de idade acusados durante audiência de custódia, convertendo as prisões em flagrante em prisões preventivas.
No dia 22 de março, a Vara da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do RJ determinou a internação provisória dos dois adolescentes envolvidos no ataque.
O veterinário responsável pelo tratamento da capivara informou que, apesar de sinais de melhora, há suspeita de que o animal tenha perdido a visão em um dos olhos devido às agressões. Ele destacou que o olho da capivara apresentava sangue e edema, o que pode indicar cegueira.
A defesa de três dos acusados, representada pela advogada Mitsi Rocha Fidelis, afirmou que acompanha o caso com seriedade e ressaltou a importância do devido processo legal. A defesa destacou que não há provas conclusivas sobre as condutas atribuídas a cada um dos acusados e que eles são primários, têm residência fixa e exercem atividades lícitas.
Ainda não houve retorno do advogado de um dos acusados e não foi possível contato com as defesas dos outros envolvidos. A polícia informou que ao todo, seis homens e dois menores estão envolvidos na agressão à capivara.

