Com o avanço das negociações em torno da delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, advogados ligados ao governo Lula projetam os honorários que o ex-dono do Banco Master paga à nova banca de defesa. O acordo é considerado o mais explosivo desde o auge da Operação Lava Jato.
Segundo advogados consultados, os serviços dos defensores do empresário, apontado como protagonista do maior escândalo financeiro da história recente, não custariam menos de R$ 30 milhões. Durante o escândalo do petrolão, os honorários para negociar delações e defender políticos e empresários na vara do então juiz Sergio Moro eram estimados entre R$ 5 milhões e R$ 8 milhões por caso.
Quando as maiores empreiteiras do país negociaram delações e acordos de leniência no Supremo Tribunal Federal (STF) e em autarquias como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), os honorários dos defensores subiram para cerca de R$ 20 milhões.
Apesar da expectativa de receberem uma quantia significativa pela defesa do banqueiro, Daniel Vorcaro está com os bens bloqueados por ordem judicial. Ele decidiu fazer um acordo de delação e trocou o criminalista Pierpaolo Bottini pelo também criminalista José Luís de Oliveira Lima, que agora é responsável por conduzir os termos da colaboração do empresário com a Justiça.
Pelas regras dos acordos de colaboração, para garantir benefícios judiciais como redução de pena e encerramento de processos, Daniel Vorcaro será instado a contar detalhes inéditos sobre o escândalo do Banco Master, apresentar evidências e documentos que comprovem suas alegações e imputar fatos criminosos verídicos a personagens de interesse da investigação.
Sem provas de corroboração, qualquer acusação, por mais impressionante que seja, não pode levar à punição de ninguém e deve ser descartada. Na quinta-feira, 19, o ministro do Supremo André Mendonça autorizou a transferência de Vorcaro do presídio de segurança máxima de Brasília para a Superintendência da PF na cidade, a fim de dar seguimento às negociações para sua delação premiada.

