A bolsa brasileira destacou-se no primeiro trimestre de 2026, apresentando o melhor desempenho trimestral desde o final de 2020. O resultado positivo ocorreu em um cenário de aversão ao risco, impulsionado pelas incertezas relacionadas à guerra no Oriente Médio.
Segundo levantamento da Elos Ayta, o período foi caracterizado por uma rotação de ativos e um impacto geopolítico significativo. O índice de dividendos (IDIV) também teve um desempenho notável, subindo 15,13%, o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2022.
De acordo com Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, esse aumento reflete a preferência dos investidores por empresas mais resilientes, que apresentam geração de caixa previsível e distribuição consistente de proventos.
Em contrapartida, o trimestre foi desfavorável para os criptoativos, com o bitcoin registrando uma queda de 27,22%, o pior resultado desde o segundo trimestre de 2022. Rivero analisou que essa situação ilustra a sensibilidade dos criptoativos a choques de liquidez e ao aumento da aversão ao risco.
““A combinação de valorização expressiva da bolsa brasileira, resiliência dos dividendos e queda acentuada dos criptoativos ilustra um ambiente de forte seletividade, no qual o fluxo de capital parece ter migrado de ativos mais especulativos para aqueles com fundamentos mais tangíveis”, disse Rivero.”
O mês de março trouxe correções nos ativos, após um trimestre majoritariamente positivo para a renda variável brasileira. O Ibovespa caiu 0,70%, enquanto o IDIV recuou 0,23% e o IFIX perdeu 1,06%. Ativos defensivos, como o CDI (+1,16%) e o dólar Ptax (+1,36%), apresentaram desempenho positivo.
O ouro foi o maior destaque negativo do mês, com uma queda de 10,42%, devolvendo parte dos ganhos recentes. O bitcoin, por sua vez, avançou 3,67% em março, mas isso não foi suficiente para reverter a tendência negativa do trimestre.
No período de 12 meses até março de 2026, o ouro lidera com alta de 49,23%, seguido pelo Ibovespa (+43,91%) e IDIV (+40,93%). Os ativos de renda fixa, como o CDI e o IMA Geral, apresentaram desempenho mais moderado, acumulando 14,73% e 13,99%, respectivamente.
O bitcoin, novamente, destacou-se negativamente, com uma queda de 25,98% em 12 meses, consolidando um ciclo de forte volatilidade e perda de valor. Rivero concluiu:
““Mais do que os números isolados, o que emerge é uma narrativa clara: em momentos de incerteza global, o mercado tende a premiar previsibilidade, liquidez e consistência, e penalizar, com intensidade, o risco elevado.””


