O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou março em leve queda, interrompendo uma sequência de sete meses de alta. O índice acumulou perda de 0,70% no mês, em meio a um cenário de maior aversão ao risco devido às incertezas relacionadas à guerra no Oriente Médio.
O último mês em que o Ibovespa havia registrado queda foi julho de 2025, quando o recuo foi de 4,17%. Apesar do resultado negativo em março, a bolsa brasileira ainda apresentou um avanço de 16,35% no primeiro trimestre, marcando o quinto trimestre consecutivo de alta.
“A guerra entre EUA, Israel e Irã transformou o conflito no Golfo em variável central do cenário global”, afirmaram economistas do Bradesco em relatório a clientes. Eles destacaram que o conflito continua sendo uma fonte importante de incerteza e que as próximas semanas serão decisivas. “Os principais riscos para o cenário global são assimétricos: petróleo mais caro, mais pressão inflacionária e crescimento mais fraco”, acrescentaram Fernando Honorato e equipe.
Apesar da queda do Ibovespa e do clima de incertezas globais, a bolsa paulista registrou um saldo positivo de capital externo em março até o dia 26, com quase R$ 7,9 bilhões, totalizando uma entrada líquida de estrangeiros de R$ 49,6 bilhões no mercado secundário de ações brasileiro em 2026.
“Já vínhamos com uma visão construtiva para o Brasil no início deste ano e ao longo de todo o ano passado”, afirmou Rashmi Gupta, gestora de portfólio multiativos no JPMorgan Private Bank, em Nova York. “Diante do atual ambiente macro e do aumento do risco geopolítico, posso dizer que ampliamos ainda mais nossa alocação em Brasil. É um dos mercados com exposição relevante a energia e commodities, que pode ser favorecido em um ambiente de alta nos preços do petróleo”, acrescentou.

