O uso inadequado de testosterona e esteroides anabolizantes tem implicações sérias na saúde mental e nas relações interpessoais. A ciência aponta que esses hormônios não afetam apenas o corpo, mas também o cérebro, alterando emoções e impulsos.
Os efeitos colaterais incluem dependência, síndrome de abstinência, irritabilidade, ansiedade, e até episódios psiquiátricos como euforia e depressão. Essas mudanças podem levar a uma diminuição da capacidade de controlar impulsos, resultando em reações desproporcionais a conflitos cotidianos.
Usuários de esteroides frequentemente têm dificuldade em reconhecer emoções, especialmente o medo, o que pode resultar em comportamentos violentos. Um estudo dinamarquês revelou que usuários de esteroides têm nove vezes mais chances de cometer crimes, com 18,5% deles sendo presos por crimes violentos após 11 anos de acompanhamento.
A violência, portanto, deixa de ser um evento isolado e se torna uma possibilidade real. As vítimas, muitas vezes mulheres, são alvo de comportamentos impulsivos e de baixa empatia, resultando em um aumento do risco de feminicídio.
O feminicídio é um fenômeno complexo, influenciado por fatores culturais e relacionais, mas a influência dos esteroides anabolizantes não pode ser ignorada. Estudos de neuroimagem mostram alterações em áreas do cérebro que controlam impulsos e emoções em usuários crônicos de testosterona.
Apesar dos riscos, muitos usuários de testosterona buscam ajuda quando informados sobre os efeitos do uso inadequado. Um estudo norueguês indicou que mais de 70% dos usuários demonstraram interesse em tratamento após receberem informações adequadas.
Essa realidade destaca a necessidade de uma abordagem que não apenas informe, mas também proteja. O uso de testosterona não deve ser visto apenas como uma questão de performance, mas como uma questão de segurança e qualidade de vida.
““Força sem controle não é força. É risco.””


