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Inflação de fevereiro sobe 0,7% e preocupa com alta do petróleo

Amanda Rocha
Última atualização: 12 de março de 2026 10:18
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A inflação subiu 0,7% em fevereiro, conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 12. A alta foi impulsionada pelo reajuste anual das mensalidades escolares e superou a expectativa do mercado financeiro, que previa um IPCA de 0,66% para o mês.

Embora o índice de fevereiro tenha sido o maior em um ano, a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,44% para 3,81%. Isso melhora as perspectivas da política monetária, segundo analistas de mercado. “Esse IPCA reforça a percepção de um processo de convergência inflacionária para a meta do Banco Central, de 3% ao ano, ainda que com pressões pontuais em alguns segmentos da economia”, afirma João Pedro Moreno, analista de renda variável da corretora Nexgen Capital.

A última semana, no entanto, trouxe mais apreensão do que alívio para os agentes do mercado financeiro. A alta do petróleo no mundo, que saltou de cerca de 70 dólares por barril para aproximadamente 100 dólares por barril desde o início da guerra no Irã, gera preocupações. Em fevereiro, antes dessa alta, o preço da gasolina no Brasil teve uma queda de 0,61%, segundo o IPCA.

Analistas temem que o conflito no Oriente Médio impacte os preços no Brasil, caso a Petrobras repasse a alta internacional ao mercado doméstico. “O petróleo é um ponto de atenção”, destaca Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos. “O combustível segue com pressões de alta, o que pode afetar futuramente a inflação”.

O contexto geopolítico inspira cautela no Banco Central, que se prepara para um ciclo de corte de juros. Contudo, há incertezas sobre o efeito dessa cautela na política monetária nos próximos meses. Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos, tranquiliza sobre a trajetória da inflação: “A alta foi puxada principalmente pelos preços da educação e do transporte, ou seja, mostra um efeito sazonal”.

Novais aposta em um corte de 0,5 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O mercado não prevê uma interrupção do ciclo de cortes de juros que ainda não começou. Entretanto, alguns analistas já revisam suas previsões para a inflação. Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, afirma: “Diante da pressão sobre os preços do petróleo resultante da guerra, nossa projeção de 4,1% (para a inflação de 2026) já passa a apresentar viés altista”. A economista expressou surpresa negativa com o IPCA de fevereiro, pois a inflação de serviços continua pressionada e acima das expectativas do mercado.

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