O Instituto Variedades da Democracia (V-Dem) divulgou um relatório que aponta que os Estados Unidos estão caminhando para a autocracia em um ritmo mais acelerado do que países como Hungria e Turquia. O documento foi publicado em 20 de março de 2026, e destaca a perda do status de democracia liberal nos EUA, pela primeira vez em mais de meio século.
A pontuação dos EUA caiu 24% em um ano, fazendo com que sua classificação global despencasse do 20º para o 51º lugar entre 179 nações. O fundador do V-Dem, Staffan Lindberg, afirma que “o atual governo dos EUA tem minado os mecanismos institucionais de controle e equilíbrio, politizado o funcionalismo público e os órgãos de fiscalização, e intimidado o Judiciário, além de atacar a imprensa, a academia, as liberdades civis e as vozes dissidentes”.
O relatório, intitulado “Desmantelando a era democrática”, classifica a regressão democrática nos EUA sob a presidência de Trump como severa. Lindberg compara a velocidade da autocratização nos EUA com a de outros países, afirmando que Trump alcançou em um ano o que líderes como Viktor Orbán na Hungria e Recep Tayyip Erdogan na Turquia levaram anos para realizar.
O estudo revela que o segundo mandato de Trump representa uma rápida concentração de poderes na presidência. O nível de democracia nos EUA regrediu ao patamar de 1965, com a perda de todos os avanços do movimento pelos direitos civis. O relatório avalia a situação da democracia com base em 48 indicadores, incluindo liberdade de expressão e qualidade das eleições.
O documento também destaca que, em 2025, o Congresso controlado pelos republicanos abdicou de seu papel constitucional, permitindo que o Executivo acumulasse mais poderes. No primeiro ano do segundo mandato, Trump assinou 225 decretos, enquanto o Congresso aprovou apenas 49 leis, permitindo que o governo marginalizasse sua autoridade.
A Suprema Corte também é mencionada como um fator que ampliou a autoridade do Executivo. No primeiro dia de seu mandato, Trump perdoou 1.500 condenados pelo ataque ao Capitólio em 6 de janeiro, o que, segundo o relatório, minou a legitimidade dos tribunais e pode ter endossado a violência futura.
O declínio da democracia nos EUA também inclui retrocessos nas proteções aos direitos civis e ataques a jornalistas e universidades. A liberdade de expressão está em seu nível mais baixo desde a década de 1940. Apesar disso, os indicadores eleitorais não mudaram, pois não houve votações nacionais em 2025. Lindberg considera que as eleições de meio de mandato em novembro, que renovarão parte do Congresso, serão um teste crucial para a saúde da democracia no país.


