O Irã está preparado para um confronto decisivo no Oriente Médio, conforme afirmou o professor de Relações Internacionais Danny Zahreddine, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC Minas, em entrevista.
Zahreddine destacou que o país persa possui “uma capacidade de resiliência grande” e se preparou por longo período para lidar com cenários de confronto. “O Irã está disposto a um jogo de tudo ou nada”, disse o especialista, enfatizando que as ameaças iranianas são críveis.
O professor exemplificou a seriedade da situação ao mencionar que a ameaça do governo iraniano de atacar estações de gás representou um risco real para países do Golfo, como o Catar, que poderia ter comprometida até 15% de sua produção gasífera.
Segundo Zahreddine, essa capacidade de dar “respostas ativas e violentas” tem levado países da região, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita, a exercerem enorme pressão para controlar a escalada do conflito.
O especialista também criticou o ultimato de 48 horas imposto pelos Estados Unidos ao Irã para abrir o Estreito de Ormuz, classificando a medida como “uma viagem completa”. Ele considerou irreal a ameaça americana de invasão da ilha de Karj, que é responsável por 90% da produção petrolífera iraniana, afirmando que um ataque poderia afetar rapidamente os principais pontos de produção de petróleo no Oriente Médio.
A análise de Zahreddine aponta para um cenário extremamente delicado no Oriente Médio, onde qualquer ação militar contra instalações energéticas iranianas poderia desencadear uma resposta devastadora para toda a região, impactando mercados globais e a estabilidade energética mundial.
Os vizinhos do Irã, portanto, têm motivos reais para temer e pressionar pelo fim das hostilidades.

