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Irã não abrirá o Estreito de Ormuz para EUA e aliados, afirma especialista

Amanda Rocha
Última atualização: 22 de março de 2026 19:57
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O Irã não cederá à pressão dos Estados Unidos e não abrirá o Estreito de Ormuz para os aliados americanos, afirmou Priscila Caneparo, doutora em Direito Internacional e professora na Ambra University. Em entrevista, a especialista destacou que o Estreito não está completamente fechado, mas sim bloqueado seletivamente para países aliados aos EUA, enquanto permanece aberto para parceiros como China e Rússia.

“A gente sabe que o Irã não vai ceder, não vai abrir o Estreito de Ormuz justamente para os países aliados aos Estados Unidos. É importantíssimo deixar claro que o Estreito de Ormuz não está fechado. Tanto é verdade que barcos petroleiros que rumam, por exemplo, à China, à Rússia, continuam tendo acesso ao Estreito”, explicou Caneparo.

A tensão no Estreito de Ormuz, por onde passa uma significativa parte do petróleo mundial, já gera preocupação nos mercados financeiros globais. Segundo a especialista, caso ocorram os ataques esperados, haverá um aumento no preço do barril de petróleo e uma inflação que afetará diversos países, incluindo o Brasil.

““Um ataque ao Irã não vai produzir efeitos apenas dentro do território iraniano, porque o Irã é um grande exportador de petróleo e tem uma estrutura apta a influenciar todo e qualquer lugar do mundo, inclusive o Brasil. Isso faz com que haja elevação dos preços dos combustíveis e principalmente também uma inflação atrelada aos alimentos, logística e transporte”, alertou Caneparo.”

A especialista também prevê que o Irã não se limitará a uma postura defensiva e deve contra-atacar em setores estratégicos de outros países do Oriente Médio. Ela citou um recente ataque iraniano a uma infraestrutura de gás liquefeito no Catar, que afetou 17% da produção local, e mencionou possíveis ataques a estruturas na Arábia Saudita.

““A gente sabe que o Irã vai contra-atacar também em setor estratégico em outros países do Oriente Médio. O Irã está ameaçando atacar via bombardeio alguma estrutura na Arábia Saudita relacionada à extração de petróleo pelo Mar Vermelho para o restante do mundo”, afirmou Caneparo.”

Caneparo ressaltou que o Irã possui uma considerável força militar, sendo a segunda maior potência do Oriente Médio, atrás apenas de Israel. Ela destacou que o regime dos aiatolás é bem estruturado e possui um sistema militar descentralizado, o que dificulta sua desestabilização.

““Nós não estamos falando de um Estado, nós estamos falando de uma civilização que tem um poder de resiliência muito grande. E mais problemático ainda é que nós temos um regime, o regime dos aiatolás, muito bem estruturado. Ele é um regime, a partir da perspectiva militar, descentralizado”, explicou a especialista.”

A doutora em Direito Internacional também alertou que ataques ocidentais ao território iraniano podem fortalecer o apoio popular ao regime atual, mesmo entre aqueles que anteriormente se opunham a ele, pois a população tende a se unir em defesa do território nacional.

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