O Irã buscou se aproximar de potências sunitas, como a Arábia Saudita, mas agora enfrenta uma coleção de inimigos devido a ataques em sua infraestrutura, provocando uma mudança na política de cautela e ambiguidade.
Após Donald Trump sinalizar negociações incertas, a Arábia Saudita, sob pressão, informou que o príncipe Mohammed Bin Salman vê “uma oportunidade histórica” para criar um novo Oriente Médio. Ele argumenta que “o Irã representa uma ameaça de longo prazo” se não houver mudança de regime.
Os movimentos de Trump para encerrar a guerra e a possibilidade de uma conferência de cúpula no Paquistão não são bem recebidos, pois o Irã, conhecido como a serpente pelos vizinhos árabes, ainda possui a capacidade de fechar o Estreito de Ormuz e atacar instalações petrolíferas.
A convivência entre o Irã e os países do Golfo tornou-se insustentável. A longo prazo, um Irã agressivo ameaça o modelo de negócios dos países da região, que se prepararam para uma era pós-petróleo, oferecendo um ambiente favorável aos negócios e estilo de vida ocidental.
Dubai, por exemplo, foi o país que mais atraiu milionários em 2024, superando os Estados Unidos. Contudo, a expectativa de viver sob a ameaça de drones contrasta com a estabilidade que a região prometia.
A Arábia Saudita ainda não conseguiu concluir seu ambicioso projeto de atrair turistas e investidores fora do setor petrolífero. Enquanto isso, a mídia ocidental critica Trump, enquanto os países árabes do Golfo se unem contra o Irã.
Recentemente, o governo do Líbano expulsou o embaixador iraniano, que atuava como emissário dos Guardiões da Revolução Islâmica, influenciando o Hezbollah. Anteriormente, o governo libanês se submetia à influência do Irã, mas agora busca desarmar o Hezbollah em resposta a uma nova invasão israelense.
Israel, o país mais oposto a um regime iraniano intacto, também se preocupa com a possibilidade de um cessar-fogo. O governo de Benjamin Netanyahu, surpreendido pelas negociações de Trump, enfrenta a pressão de decidir entre o apoio ao presidente americano e a necessidade de uma campanha militar.
A guerra aérea com armamentos convencionais não pode derrotar um inimigo como o Irã, que se preparou por décadas para atacar alvos civis. O Irã, apesar dos danos, tem conseguido manter a pressão sobre seus vizinhos e compreendeu que a batalha da opinião pública é um ponto fraco para Trump.
Os inimigos do Irã agora se uniram para pressionar Trump a não interromper as ações militares, pois isso seria desastroso para eles. O papel do Paquistão nas negociações é uma novidade, e a identidade dos representantes iranianos continua sendo um mistério.

